Polícia confirma crescimento de comércio ilegal de carteiras estudantis na Capit - WSCOM

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Paraíba

31/08/2005


Polícia confirma crescimento de comércio

Dados da Delegacia de Vigilância Geral revelam o crescimento de falsificação de carteiras estudantis em João Pessoa. Três inquéritos policiais estão em curso para identificar os focos de adulteração do documento.

Os números coletados pela Vigilância Geral dia 6 de julho mostram que, em menos de 30 dias em vigor, foram retiradas de circulação mais de 300 carteiras de estudante falsas.

De acordo com o delegado Antônio de Farias, a polícia tem intensificado as investigações, pois há indícios de que exista um número muito maior de carteiras falsas em circulação na Capital.

Ele revelou que, dos três inquéritos em trâmite na Justiça, dois foram abertos no mês passado. “O primeiro foi aberto no dia 30 de junho e os outros dois na primeira quinzena de julho deste ano”, confirmou o delegado.

No primeiro caso, o trabalho preventivo da polícia conseguiu evitar que 180 carteiras falsas entrassem em circulação. Conforme o delegado Farias, em 30 de junho Felipe Pereira Eglesias foi preso em flagrante delito. Na sua casa foram apreendidos um computador e 180 fotos 3×4 que seriam utilizadas na confecção dos documentos. O falsificador foi preso e outras três pessoas foram intimadas a depor por estarem portando carteiras falsas.

Segundo os depoimentos de Edna de Fátima Silva, Raycia de Lívia Cavalcante e Vanderlan José de Souza, as carteiras eram oferecidas para trabalhadores do comércio e adquiridas por valores entre R$ 25,00 e R$ 30,00.

Sobre isso, o delegado Farias esclarece que a punição por atos ilegais atinge não só quem os está praticando, mas, também quem está sendo conivente com ele. “No caso específico do uso da carteira estudantil ilegal, quem vende e quem compra está passível das mesmas penas. Praticar o ato ou ser conivente com ele pode dar cadeia”, adverte o delegado.

Outro inquérito está tramitando em fase final na Justiça e diz respeito ao processo aberto contra o professor de educação física Nelson Paulino Coelho. A primeira vez que a polícia o flagrou foi em dezembro de 2003, quando ele estava de posse de 250 carteiras estudantis, além de certificados e diplomas de segundo grau. “Todo o maquinário para falsificação foi apreendido pela Polícia”, afirma o delegado.

Nessa segunda vez, ele foi intimado para depor porque Evandy Coelho Oriente lhe acusou de ser o falsário. As carteiras eram vendidas por R$ 25,00 e Evandy ficava com uma comissão de R$ 5,00 pela comercialização de cada unidade.

Já o terceiro inquérito é contra os líderes estudantis Fabiano Marques e Alexandre de Sousa. Nesse caso, acrescenta o delegado, Antônio Carlos dos Santos havia perdido uma carteira de cédulas no interior de um ônibus. A carteira continha vários formulários para aquisição de documentos estudantis, não dos modelos usados em João Pessoa, mas com os nomes dos colégios da Capital. A carteira foi entregue na AETC-JP. O gerente de operação da entidade, Kléber Maia, estranhou a prática e encaminhou as provas para as autoridades policiais para dar início as investigações.

“A polícia intimou Antônio Carlos para depor e na presença de sua advogada ele afirmou que entregava os formulários para Alexandre e Fabiano na sede da União dos Estudantes do Estado da Paraíba (UEEP). Mais do que isso, Antônio Carlos também declarou que havia recebido a carteira, gratuitamente, em troca de voto para Fabiano Marques, candidato a vereador nas eleições de 2004”, afirma o delegado da DVG.

O gerente operacional da Associação das Empresas de Transportes Coletivos Urbanos de João Pessoa, AETC-JP, Kléber Maia, lembra que o uso ilegal da carteira de estudantes além de ser um ato criminoso, ainda prejudica todos os passageiros que pagam para utilizar o sistema de transportes urbano. “Como o valor das passagens é calculado levando-se em consideração o número de passageiros que pagam a tarifa inteira, quanto mais abatimentos tiverem no sistema, como no caso dos estudantes que pagam meia passagem, mais cara fica a tarifa”, afirmou. Atualmente, 3,2 milhões de estudante/mês utilizam os ônibus de João Pessoa pagando 50% da tarifa.

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