“Podemos e iremos avançar”, diz presidente da Agência UFPB de Internacionalização - WSCOM

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Educação

02/03/2019


“Podemos e iremos avançar”, diz presidente da Agência UFPB de Internacionalização

Paiva conta como será realizada a transição, explica a importância de uma universidade se internacionalizar, expõe as principais dificuldades

Em entrevista à Assessoria de Comunicação Social (Ascom) da UFPB, o  professor do Departamento de Relações Internacionais (CRI) Iure Paiva conta como será realizada a transição, explica a importância de uma universidade se internacionalizar, expõe as principais dificuldades, revela seus planos para incrementar a internacionalização da instituição, apresenta suas propostas para aumentar a difusão do conhecimento adquirido fora do país e garante mais aproximação aos centros de pesquisa da América Latina e da África.

 

Confira abaixo:

 

Ascom – A Agência UFPB de Cooperação Internacional substituirá a Assessoria para Assuntos Internacionais. Como será realizada a transição?

Iuri Paiva – Em primeiro lugar, tive duas reuniões com o professor José Antônio Rodrigues, que ocupava a coordenação da extinta AAI, para tomar conhecimento do andamento dos trabalhos, com o intuito de avaliar a melhor maneira de absorver as demandas até então rotineiras na nova estrutura administrativa da ACI-UFPB.

As conversas foram marcadas por um clima de muita cordialidade e de compromisso em dar continuidade ao adequado andamento às questões relativas à cooperação internacional na UFPB.

Em um segundo momento, foram reunidas as equipes de servidores e de estagiários que serviam à AAI, para apresentar a eles a nova estrutura administrativa, assim bem como a filosofia e a política de trabalho.

Nessas oportunidades, podemos nos conhecer melhor e entender os desafios e oportunidades diante do trabalho da ACI/UFPB e do seu compromisso em avançar na internacionalização da UFPB.

Ascom – Por que se internacionalizar e quais as principais limitações hoje?

Iuri Paiva – A internacionalização que se pretende estabelecer na UFPB possui um forte compromisso com o avanço de ideias humanistas de tolerância e de convivência intercultural harmônica, incondicionalmente atrelada a marcadores sociais que prezam pelo desenvolvimento de um ambiente participativo, inclusivo e equânime na UFPB e, a partir daqui, para todo o Estado da Paraíba.

A intenção não é apenas a de promover e disseminar o conhecimento acadêmico e científico em diferentes instâncias e para atores extraterritoriais, de diferentes nações e de povos do mundo, mas, principalmente, a de, efetivamente, incentivar a promoção de valores que permitam a consolidação de uma cultura de paz, inspirada no desejo de conhecer melhor o próximo para também melhor conhecer a si mesmo.

Nesse sentido, a internacionalização tem um potencial de concretizar essas aspirações, tanto para quem chega à UFPB quanto para aqueles que partem para outros rincões do planeta.

As principais limitações para este projeto, em termos gerais, são a falta de disposição e de coragem de se reinventar a todo o momento e de criar modelos inovadores de cooperação acadêmica internacional, e a estagnação diante dos desafios que cotidianamente se apresentam na UFPB.

Ainda que não seja em quantidade suficiente, é preciso dizer que temos recursos financeiros e materiais, sim. Temos capacidades e habilidades para avançar, sim. Temos recursos humanos extraordinários, sim. Podemos e iremos avançar, sem sombra de dúvidas. E juntos.

Ascom – Enquanto primeiro presidente da Agência UFPB de Cooperação Internacional, quais os seus planos para incrementar a internacionalização da UFPB?

Iuri Paiva – Tudo parte da consciência de que é preciso consolidar e ampliar a compreensão do que significa a internacionalização para UFPB, desde o ensino, pesquisa e extensão, aos outros três eixos que perfazem a linha condutora de ação da Agência, que inclui gestão, inovação e a própria cultura universitária.

A título de exemplo, podemos citar possíveis avanços em cada uma dessas linhas condutoras. No ensino, é necessário empreender aulas bilíngues nos cursos de graduação e de pós-graduação. Na pesquisa, ampliar a colaboração internacional com parceiros tanto do norte desenvolvido como do sul em desenvolvimento, com um compromisso de priorizar as necessidades locais.

Na extensão, incentivar a aproximação de projetos com nítida repercussão social a partir do conceito da interculturalidade humanística. Na gestão, buscar modelos e processos de gestão internacionais que se adaptem e atendam às peculiaridades institucionais da UFPB. Na inovação, é preciso ter o compromisso de buscar as “boas-práticas” e iniciativas inovadoras que permitam avançar cada vez mais nas respostas às demandas rotineiras da UFPB.

Na cultura, os professores, alunos, servidores técnico-administrativos e toda a comunidade acadêmica podem avançar nas práticas de acolhimento e de integração com diferentes povos, desde o contato com a música aos costumes alimentares e de convivência pacífica. As possibilidades são imensas e a capacidade de fazer acontecer existe.

Além disso, é preciso estar em permanente diálogo com a reitoria, pró-reitores, diretores de centro, chefes de departamento, coordenadores de curso, alunos, técnico-administrativos e professores em geral, não deixando, de forma alguma, nenhum dos quatro campi da UFPB de lado. Todos e todas têm muito a contribuir.

Complemento a resposta ao colocar que faz parte da política que desejo implementar, enquanto presidente da ACI/UFPB, dar maior representatividade às diferentes unidades acadêmicas e administrativas.

Indicamos para as Diretorias da ACI/UFPB uma professora do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico (Diretoria de Divulgação e Ações Acadêmicas e Científicas), uma professora do Magistério Superior da graduação/pós-graduação (Diretoria de Relações Interinstitucionais) e um servidor técnico-administrativo que atua nas relações internacionais da UFPB há mais de 20 anos (Diretoria de Mobilidade Acadêmica).

Essas Diretorias permitirão que tenhamos uma estrutura administrativa com atribuições bem definidas e com objetivos e metas precisas a serem cumpridos.

Ascom – Conforme o relatório “A internacionalização na Universidade Brasileira: Resultados do Questionário Aplicado pela Capes”, divulgado em 2017, existe no Brasil uma tendência à internacionalização passiva, por meio da mobilidade de docentes e discentes para o exterior, com baixas taxas de atração de profissionais internacionais. Segundo o estudo, apenas parte das instituições afirmou incluir profissionais qualificados no exterior em seus programas de pós-graduação. Quais as suas propostas para aumentar a difusão do conhecimento adquirido fora do país?

Iure Paiva – Assim como nas demais questões acima mencionadas, devemos, mais uma vez, consolidar e ampliar o que estamos chamando de “cultura da internacionalização”, de modo a compreender as potencialidades da convivência internacional e inseri-la no cotidiano da instituição, nos citados seis eixos ou linhas de ação: ensino, pesquisa, extensão, gestão, inovação e cultura universitária.

Demos um grande passo na atração de professores estrangeiros ou com larga experiência internacional com o concurso para Professor Visitante, uma arrojada e visionária ação da Reitoria nunca antes vista nesta instituição.

Hoje, praticamente, em qualquer reunião de colegiado de departamento da UFPB encontra-se um professor ou uma professora contratada a partir desse concurso, tornando constante o diálogo e concepções internacionalistas no pensar e no agir dos cursos, pesquisas e demais iniciativas acadêmicas e administrativas da UFPB.

Da mesma forma, a aprovação do projeto da UFPB no programa PrInt, da Capes, tem atraído inúmeros alunos e professores pesquisadores para a UFPB e dado visibilidade à produção científica da universidade e de seus parceiros em todo o mundo, com projetos que envolvem desde o Japão a países da África, Europa, Oceania e das Américas.

Nossa capacidade é incrível. Em uma semana de trabalho, dois professores apresentaram demandas por convênios com instituições estrangeiras que implicarão em aporte de mais de meio milhão de reais em pesquisa apenas para a UFPB, com financiamento externo, que gerará postos de trabalho e mais recursos econômicos para o Estado.

Como é possível perceber, a internacionalização tem uma dinâmica que repercute diretamente na vida da comunidade acadêmica e da sociedade paraibana em geral. Isso sem dúvida é muito bom e cativa um sentimento de transformação e de libertação.

Ascom – A maioria dos acordos de cooperação internacional ocorre com instituições da América do Norte e Europa. Considerando o eurocentrismo na ciência, aproximar-se mais dos centros de pesquisa da América Latina e da África, por exemplo, é uma de suas prioridades?

Iure Paiva – A cooperação Sul-Sul, sem dúvidas, é uma de nossas prioridades. Inspirados nisso, e mais que isso, desejamos progredir na internacionalização da UFPB a partir da diversidade de parceiros e parcerias, na conformação do que o filósofo e humanista Dr. Daisaku Ikeda denomina de “cidadania global”, conceito baseado no princípio budista de Itai Doshin, que significa a união de diferentes corpos, em torno de um objetivo comum, que pode ser a promoção de uma cultura de paz, com respeito incondicional aos direitos humanos e na defesa do desenvolvimento sustentável.

A internacionalização não deve ser concebida apenas como um movimento em busca da chamada “excelência acadêmica”. Deve ser entendida como uma ampla e inspiradora jornada rumo à consolidação de ideias de paz, de cultura e de educação, o que só é possível a partir de compromisso irrefutável com a equidade e justiça social.

Todos os povos e nações do planeta têm muito a nos oferecer com suas experiências, da mesma forma que nossa “paraibanidade” e “nordestinidade” certamente inspiram e constroem bases para a superação de dificuldades e de geração de oportunidades em meio aos desafios do cotidiano, nos mais diferentes espaços e níveis de interação humana.

Nenhuma nação ou povo deve ser discriminado, pois todos são dignos do mais alto respeito e consideração. Ao falar sobre isso, me vem em mente uma passagem de um dos escritos de Nichiren Daishonin, filósofo budista do século XIII: “não existe terra impura, o que existe é mente impura”. É contra as maldades que permeiam a convivência humana que devemos “lutar”. Avançaremos na internacionalização levando em conta vidas e não números apenas.

 

Com informações Ascom UFPB
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