Plenário da Câmara inocenta o deputado Roberto Brant no processo de cassação - WSCOM

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08/03/2006


Plenário da Câmara inocenta o

A Câmara dos Deputados absolveu, na noite desta quarta-feira, o deputado Roberto Brant (PFL-MG), acusado de quebra de decoro parlamentar e de envolvimento no suposto caso do “mensalão”.

Foram 283 votos favoráveis à absolvição, contra 156 favoráveis à cassação. Abstiveram-se de votar 18 deputados, e um apenas votou em branco. Votaram, ao todo, 458 dos 513 deputados. Houve comemoração em plenário quando, durante a apuração, foi atingido o número de votos que garantia a absolvição de Brant.

Em seguida, está marcada a votação do processo de cassação de outro parlamentar, o deputado petista Professor Luizinho. O presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), conclamou os parlamentares a permanecer no plenário. Clique para acompanhar a continuação da sessão.

Saiba mais sobre a carreira política de Roberto Brant

Brant é acusado de ter recebido R$ 102,8 mil das contas da SMPB, agência de publicidade do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, suposto operador do esquema do “mensalão”.

Em sua defesa, Brant alega que os recursos foram uma doação da companhia siderúrgica Usiminas para a sua campanha à Prefeitura de Belo Horizonte, em 2004, e a empresa teria sido apenas uma intermediária.

Monstro

Em seu discurso de defesa, Roberto Brant afirmou também que não cometeu “infração de qualquer natureza, nem penal nem eleitoral.” “Os recursos que eu recebi eram de origem estritamente privada, não tinham nenhuma conexao com recursos públicos”, disse. Brant argumentou também que não se apropriou dos recursos, e sim usou-os para pagar dívida partidária, motivo pelo qual os valores não teriam sido declarados na prestação de contas.

Brant pediu que aos colegas que tenham coragem de ir contra a opinião pública, chamada por ele de “monstro”. “A opinião pública não é o povo, é muito menor que o povo. A opinião pública não acerta sempre”, criticou Brant. Ele também afirmou que está sendo condenado sem julgamento.

O deputado do PFL criticou ainda a rapidez da CPI dos Correios em produzir um relatório pouco preciso, que visava apenas “dar satisfação à opinião pública”.

No final do discurso, Brant, que dispensou o uso de advogado em sua defesa no plenário, afirmou que dedicou os “melhores anos” de sua vida à carreira política e que, “apesar de o final ser de melancolia e decepção”, não me arrepende da escolha que fez.

“Tsunami de imoralidade”

A sessão começou por volta das 16h com a leitura do parecer do relator Nelson Trad (PMDB-MS), que foi o responsável por conduzir o processo contra Brant no Conselho de Ética da Câmara.

O relator atacou os principais argumentos da defesa de Brant. “Se não houve manejo de caixa dois para fim eleitoral, teria havido para finalidade partidária”, afirmou o relator, citando que a Câmara vive um “tsunami de imoralidade” e há “prostituição partidária” por conta do “mensalão”.

Nelson Trad afirmou que o reconhecimento pelo próprio Brant de que a doação do dinheiro foi feita pela Usiminas para sua campanha reforça a tentativa de ocultar doação sem registro por meio da passagem pelas contas da SMPB. “É importante que o Plenário atente para o fato de que, mesmo sendo a doação de origem privada, o recebimento desses recursos por meio da SMPB atesta a forma clandestina do pagamento”, disse.

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