Plano de Israel é 'declaração de guerra', diz Hamas - WSCOM

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Internacional

10/03/2006


Plano de Israel é 'declaração

Um dos líderes do Hamas classificou de “declaração de guerra” o plano de Israel de determinar novas fronteiras – anexando território palestino – de forma unilateral.

O líder político do grupo, Khaled Meshaal, que está exilado, disse à agência de notícias AFP que o plano foi formulado para atender apenas as necessidades de segurança israelenses. “O desligamento unilateral dos territórios palestinos é uma declaração de guerra contra o povo palestino.”

Meshaal também afirmou que o plano não irá trazer a paz.

O primeiro-ministro em exercício de Israel, Ehud Olmert, disse que pretende definir fronteiras permanentes para o país em quatro anos. Ele disse, ainda, que daria tempo para o Hamas realizar reformas, desarmar-se e aceitar acordos de paz antes de implementar uma solução unilateral.

Prazo

O Hamas, que venceu as eleições palestinas em janeiro, está em meio ao processo de formação da próxima administração palestina.

Meshaal afirmou que o plano “permitiria com que Israel permanecesse na maior área da Cisjordânia, mantivesse seu muro e seus assentamentos e se recusasse a qualquer concessão relacionada a Jerusalém e desprezasse o ‘direito de retorno’ dos palestinos”.

Ele afirmou ainda que Olmert estava “no caminho de cometer os mesmos erros que (o primeiro-ministro israelense Ariel) Sharon cometeu”.

Olmert, cujo partido Kadima está liderando as pesquisas de intenção de voto para as eleições marcadas para o dia 28 de março, deu detalhes de seu plano numa entrevista ao jornal Jerusalem Post, na quinta-feira.

Ele disse que, entre as ações previstas, está a construção de mais assentamentos judeus em território ocupado por palestinos entre Jerusalém e o maior assentamento de Israel, Maaleh Adumim.

Os palestinos afirmam que os planos de Maaleh Adumim removeriam Jerusalém Leste da Cisjordânia e destruiriam seu objetivo de estabelecer uma capital palestina em Jerusalém.

De acordo com analistas, o prazo de quatro anos é o primeiro determinado por um líder israelense para o que é visto como uma grande retirada de certas partes da Cisjordânia.

Olmert assumiu o governo israelense após Ariel Sharon sofrer um derrame em janeiro e ele prometeu continuar o trabalho de seu antecessor.

Sharon retirou assentados e tropas israelenses da Faixa de Gaza em 2005, como parte de um plano unilateral que impediu negociações emperradas com os palestinos.

Os Estados Unidos acreditam que as fronteiras entre Israel e os territórios palestinos deveriam ser determinadas por meio de negociações com os palestinos e fez um alerta a Israel para que não anexe partes da Cisjordânia ocupada.

A comunidade internacional considera ilegais todos os assentamentos na Cisjordânia, incluindo no leste de Jerusalém, mas Israel discorda.

O governo israelense afirma que a barreira construída na Cisjordânia tem como objetivo impedir a entrada de homens-bomba, mas os palestinos a vêem como uma tentativa de se apossar de território da Cisjordânia.

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