Pinochet pede para Justiça deixar sua família - WSCOM

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Internacional

11/08/2005


Pinochet pede para Justiça deixar

O general Augusto Pinochet, ex-presidente do Chile, fez um apelo à Justiça do país para parar de investigar a sua família depois que a sua mulher e um de seus filhos foram detidos por evasão fiscal. Em uma declaração, o militar de 89 anos disse que se as autoridades querem prender alguém que seja ele e não “pessoas inocentes”.

A esposa de Pinochet, Lucía Hiriart, e o seu filho mais novo, Marco Antonio Pinochet, foram detidos por suposto envolvimento em crimes tributários.

“Assumo toda a responsabilidade pelos fatos que o senhor Muñoz (Sergio Muñoz, que ordenou a detenção) investiga e nego toda participação que possa corresponder à minha cônjuge, aos meus filhos e aos meus colaboradores próximos”, diz a nota.

Ainda assim, Pinochet nega ter fraudado o Estado ou ter se aproveitado do poder de forma ilícita.

“Surpresa”

O filho mais velho do ex-presidente, Augusto Pinochet Hiriart, disse que as prisões foram uma surpresa para a família e que os seus advogados apelariam da decisão na Justiça.

O primogênito da família Pinochet, que também sofreu processo judicial, disse ainda que teme pela saúde da mãe. “Eles vão matá-la porque ela tem um problema do coração, sofre de muitas doenças e tem mais de 80 anos.”

O juiz chileno Sergio Muñoz mandou deter os familiares de Pinochet com base em indícios de que eles teriam sido cúmplices do ex-presidente na suposta fraude ao fisco chileno.

Lucia Hiriart foi detida no Hospital Militar Santiago, onde está recebendo tratamento médico, enquanto o filho foi interrogado em um quartel militar.

“Ninguém no Chile está acima da lei”, disse o porta-voz do governo Osvaldo Puccio sobre a decisão do juiz Sergio Muñoz.

“É bom para o país que se comece a conhecer os detalhes do passado. A verdade sempre é boa não apenas para o país, mas também para as pessoas”, adicionou.

Contas

Muñoz, que há um ano acompanhava o caso, investigou contas bancárias secretas de Pinochet nos Estados Unidos que somariam mais de US$ 17 milhões, segundo documentos incluídos no processo.

O magistrado investiga 128 contas bancárias existentes no Chile e no exterior, a falsificação de passaportes e a compra de artigos de luxo com dinheiro público.

Os advogados de Pinochet argumentam que o dinheiro das contas bancárias era para gastos do Estado.

Muñoz já conseguiu suspender a imunidade de Pinochet, abrindo a possibilidade para que o ex-presidente também seja processado por evasão fiscal.

Os advogados de defesa apelaram contra a decisão na Suprema Corte chilena.

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