PF vai pedir ajuda ao FBI para investigar contas de Valério - WSCOM

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Brasil & Mundo

13/08/2005


PF vai pedir ajuda ao

A Polícia Federal deve solicitar nos próximos dias o auxílio do FBI (uma das principais polícias federais dos EUA) e da Interpol para investigar as contas bancárias em instituições norte-americanas utilizadas pelo empresário Marcos Valério Fernandes de Souza para enviar dinheiro à offshore nas Bahamas do publicitário Duda Mendonça, autor da campanha eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2002.

O Departamento de Justiça e outros órgãos federais dos EUA também devem participar do esforço para identificar as contas de Valério.

Devido às restrições cada vez mais severas para a abertura de contas bancárias nos Estados Unidos pós-atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, os clientes precisam fornecer uma série de dados às instituições. Além de dados pessoais e profissionais, uma linha geral da origem do dinheiro também faz parte das exigências. São esses documentos, atualmente em poder de diversos bancos dos EUA que a Polícia Federal quer analisar.

Além disso, os bancos são obrigados a repassar relatórios chamados SARs (Relatórios de Atividade Suspeita, na sigla em inglês) para a polícia. Segundo os órgãos responsáveis, não houve nenhum informe relativo a Valério ou suas contas até ontem.

Até o fechamento desta edição, a Polícia Federal não havia comentado oficialmente o pedido de ajuda. A equipe responsável pela investigação evita dar declarações, mas a Folha apurou que durante o final de semana os policiais brasileiros devem esquadrinhar as informações dadas por Duda Mendonça para verificar que dados podem ser solicitados aos colegas norte-americanos.

Também não estava descartada uma missão oficial dos policiais aos EUA para levantar as informações e coletar papéis.

Resposta do FBI

Procurado pela Folha e informado sobre as investigações em andamento no Brasil, o FBI informou que vai colaborar e auxiliar a PF em todas as suas solicitações, mas não deve comentar publicamente o avanço na apuração para não comprometer o inquérito brasileiro.

Duda Mendonça disse à PF que recebeu R$ 10,5 milhões de Valério em depósitos na conta de sua offfshore Dusseldorf nas Ilhas Bahamas. O dinheiro transitou por bancos norte-americanos antes de chegar ao paraíso fiscal, por isso a necessidade de cooperação com o FBI e a Interpol. Justamente para rastrear o caminho do dinheiro chegando aos EUA e a origem dele no Brasil.

Caso o dinheiro seja considerado “sujo”, obtido por meio de fraude em licitações ou desvio de recursos públicos, por exemplo, a Justiça norte-americana pode determinar o congelamento de eventuais depósitos ainda remanescentes em bancos norte-americanos.

Procurados pela Folha, os bancos evitaram comentar ou confirmar oficialmente a existência de contas em nome de Valério ou algum de seus sócios ou empresas citados por Duda Mendonça.

Ao menos um dos bancos utilizados por Valério, o BAC-Florida, já opera em regime especial sob supervisão do FDIC (Federal Deposit Insurance Company, órgão regulador do governo dos Estados Unidos) por enfrentar suspeitas de lavagem de dinheiro. O FDIC possui jurisdição sobre o Israel Discount Bank de Nova York, também utilizado por Marcos Valério, mas o órgão informou ontem que não vai divulgar se alguma das duas instituições está sob investigação atualmente.

Essa não é a primeira vez que a Polícia Federal pede ajuda ao FBI em suas investigações. Em 2003, quando a PF investigava a evasão de divisas e lavagem de dinheiro através da agência do Banestado em Nova York, a PF solicitou ajuda á polícia federal americana. Pelo banco passaram cerca de U$ 30 bilhões de dólares, a maioria de origem ilícita, segundo a PF.

Os policiais brasileiros pediram aos americanos que fizessem a busca de documentos nos EUA, além de ajudar na abertura de investigação sobre o caso na Justiça dos Estados Unidos.

A polícia americana já investigava o Banestado nos EUA desde 1997, quando, nos levantamentos relacionados a um caso de narcotráfico, acabou descobrindo a conta da empresa Nager Fidelity, uma “offshore” com sede no Uruguai suspeita de estar sendo usada para lavar dinheiro de traficantes.

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