PF prende donos de revendedora por suposta ligação com assalto ao BC - WSCOM

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Policial

12/08/2005


PF prende donos de revendedora

Foi decretada na noite desta quinta-feira a prisão temporária, por cinco dias, dos dois sócios da revendedora de carros Brilhe Car, de Fortaleza (CE). Eles são suspeitos, segundo a Polícia Federal, de envolvimento no assalto ao Banco Central da capital cearense. No fim de semana, foram levados mais de R$ 164,7 milhões do caixa-forte.

Foi a Brilhe Car que vendeu por R$ 980 mil, pagos em dinheiro, os 11 carros apreendidos por volta das 19h de ontem. Eles estavam em um caminhão cegonheira e seguiam para São Paulo. O veículo foi localizado em um posto da Polícia Rodoviária Federal, na região de Sete Lagoas (MG).

Dentro de dois destes carros, uma camionete Mitsubishi L-200 e uma Montana, foi encontrado mais dinheiro: cerca de R$ 3 milhões, em cédulas de R$ 50 –conforme as levadas do BC. Junto a elas ainda estariam lacres de diversos bancos.

Com a prisão dos sócios da revendedora, José Elizomartes Fernandes e Demerval Fernandes, já são quatro os acusados de participar da ação. Quando a cegonheira foi apreendida, o motorista Francisco Rogério Maciel de Souza e Charles Machado de Moraes, dono da transportadora responsável, a JE Transportes de Veículos, também foram presos.

Revendedora

A Brilhe Car fica a poucos metros da JE Transporte, no bairro Parquelândia (zona oeste de Fortaleza). Até um ano e sete meses atrás, a JE pertencia à Brilhe Car, que vendeu a empresa a Moraes por R$ 200 mil. Os vínculos comerciais se mantiveram, já que o prédio onde funciona a transportadora ainda é dos donos da revenda de veículos.

A funcionária Adriana Abreu disse nesta quinta-feira que seu patrão foi intermediário na compra dos veículos pela quadrilha, na Brilhe Car, ao indicar a revenda para os supostos empresários paulistas interessados em comprar carros para revender em São Paulo.

O contato dos ladrões com a transportadora, para combinar o envio dos dois carros a São Paulo, também foi por meio de Charles, segundo ela.

Depoimento

Em depoimento à PF, os sócios da revendedora confirmaram que a compra dos veículos foi feita por Moraes, que pagou tudo em dinheiro, no último sábado, de acordo com o advogado deles, Paulo César Feitosa.

“Ele trouxe o dinheiro em um saco e levou os carros, um a um, possivelmente para sua transportadora”, disse Feitosa. O primeiro contato para a venda dos veículos, segundo Feitosa, foi há 15 dias, quando Moraes esteve com Elizomartes e com outras quatro pessoas –o pai, uma criança, um possível irmão e um suposto empresário paulista.

Depois disso, o próprio Moraes escolheu os veículos. O pagamento e a retirada foram feitos no sábado, entre 9h e 15h. A PF desconfia que a ação de retirada de dinheiro da caixa-forte do Banco Central, por meio de um túnel de 80 metros, tenha acontecido no mesmo dia, até 12h.

Feitosa afirmou ainda que seus clientes não desconfiaram do pagamento à vista e em dinheiro porque Moraes já era cliente da empresa há sete anos. “Os R$ 980 mil não significam tanto dinheiro assim para quem trabalha no mercado de veículos”, disse o advogado.

Contradição

O advogado, porém, se contradisse quando explicou como a PF chegou à revenda. Primeiro, ele afirmou em entrevista que, ao saber do crime, na segunda-feira, os donos da Brilhe Car chegaram a desconfiar da compra de dez veículos feita por Moraes dois dias antes.

Duas horas depois, em outra entrevista, ele afirmou que a PF é que procurou os donos da revenda para questioná-los sobre a venda dos carros, o que foi confirmado.

Na quarta-feira à tarde, a PF encontrou um dos carros supostamente comprados pela quadrilha, uma Pajero preta, em uma oficina mecânica, em Fortaleza, para onde a Brilhe Car manda os carros quebrados. O carro foi vendido também no sábado, mas em seguida o motor apresentou problemas, sendo levado de volta à revenda, por ainda estar na garantia.

A PF ainda não confirmou, mas o veículo pode ter quebrado no interior do Ceará, próximo ao município de Boa Viagem, onde estão acontecendo diligências.

Entre os motivos dessas investigações no interior é que a família de Moraes é da região e um de seus parentes, Robson de Souza Almeida, um primo, foi acusado, em 1999, de participar de um assalto à empresa de transporte de valores Corpus, em Fortaleza, de onde foram roubados R$ 6,9 milhões. Almeida chegou a ser preso na ocasião.

Transportadora

No início da tarde, Moraes e Maciel chegaram à sede da PF em Fortaleza. Os advogados do dono da transportadora negaram que ele possa ter sido ao menos intermediário na compra dos veículos e que tenha qualquer envolvimento com o assalto ao Banco Central.

“Ele ficou surpreso ao saber que havia dinheiro nos carros”, disse a advogada Erbênia Rodrigues. “Ele nos disse que apenas foi contratado para transportar os veículos e que não teve nenhum contato anterior com os proprietários.”

Os advogados de Moraes disseram que deverão entrar com um pedido de habeas corpus por considerar que a prisão dele foi ilegal, por não haver flagrante.

Eles afirmaram ainda que o empresário não estava na cabine do caminhão com o motorista, mas num carro atrás, como costumava fazer sempre para acompanhar a entrega de carros. Pela manhã, em entrevista, porém, a funcionária dele, Adriana Abreu, afirmou que não era comum que ele acompanhasse as viagens para a entrega de carros.

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