Petrobrás admite que pode reajustar preço do gás para conter consumo - WSCOM

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Economia & Negócios

23/08/2005


Petrobrás admite que pode reajustar

O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, admitiu que a estatal poderá aumentar o preço do gás natural como forma de desestimular o consumo no país. Segundo ele, isso pode ocorrer porque a oferta do produto, mesmo com a importação do gás boliviana, não é suficiente para atender a uma expansão da demanda interna pelo produto na ordem de 20% ao ano.

‘Com a oferta de que hoje dispomos não podemos ter um mercado com uma demanda de gás subindo cerca de 20% ao ano. Portanto, podemos sim, vir a aumentar o preço do produto como forma de desestimular, por exemplo, o consumo interno do Gás Nacional Veicular (GNV)’, afirmou Gabrielli.

Na última sexta-feira, de certa forma, a Petrobrás já sinalizou nesta direção ao anunciar a retirada progressiva do subsídio que até então vinha sendo dada ao gás boliviano, comercializado no Brasil a um preço menor do que a Petrobrás paga ao adquirir o produto na Bolívia.

Atualmente, para fazer frente ao consumo de Gás Natural, a Petrobras importar diariamente 24 milhões de metros cúbicos do gás produzido na Bolívia e que aqui no mercado interno é ofertado com desconto. Já a partir de primeiro de setembro, a Petrobras começara a reduzir este desconto, com o gás passando a custar 13% a mais. Em novembro a empresa dará mais um aumento de 10%, para então em 1o de Janeiro do próximo ano passar a comercializar o produto sem qualquer desconto, eliminando desta forma o subsidio atual. Já para o gás nacional, a Petrobrás anunciou aumento de 6,5 por cento a partir de 1o de setembro e de 5% em 1o de novembro.

Ao detalhar na tarde de hoje o Plano de Investimentos para 2006-2010, porém, a Petrobras anunciou que os investimentos da empresa na área de gás para o período passarão dos atuais US$ 2,6 bilhões previsto no Plano Estratégico da Companhia para US$ 6,5 bilhões – crescimento de 150% e que objetiva incentivar atender ao crescimento da demanda por gás natural no país.

No Plano de Negócios divulgado pela empresa, a Petrobras prevê que o mercado de gás para as usinas termelétricas passe de 27,1 milhões de metros cúbicos, para 46,4 milhões de metros cúbicos entre 2006 e 2010, com o mercado de gás natural para a indústria devendo aumentar de 36,7 para 39,1 milhão de metros cúbicos, no período, com o mercado de gás como um todo podendo chegar a 99,3 milhões de metros cúbicos.

Gabrielli, no entanto, ao ser questionado pelos jornalistas, admitiu a possibilidade de a empresa vir a aumentar os preços para conter o avanço do consumo, principalmente do Gás Natural Veicular.

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