Peritos criminais prometem interpelar judicialmente legista do caso Isabella - WSCOM

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Brasil & Mundo

27/05/2008


Peritos criminais prometem interpelar ju

A presidente da Associação dos Peritos Criminais do Estado de São Paulo, Maria do Rosário Seraphin, informou na manhã desta terça-feira (27) que irá interpelar judicialmente o médico-legista George Sanguinetti, que preparou um parecer sobre os laudos da morte de Isabella Nardoni.

O motivo são os ataques feitos por Sanguinetti aos peritos do caso. Ele chegou a dizer que o trabalho foi “medíocre”.

Maria do Rosário disse que irá entrar ainda nesta terça-feira (27) com o pedido de explicações e retratação. Se isso não acontecer, a associação pretende processar o legista por injúria, calúnia e difamação. Em entrevista ao SPTV, Sanguinetti comentou o pedido de interpelação. “Mais importante do que me processar é corrigir o que foi feito. Eu até falei que os peritos trabalharam sob grande pressão. Quem se sentiu ofendido, as minhas desculpas”, disse.

George Sanguinetti apresentou nesta segunda-feira (26) sua avaliação sobre os laudos periciais da morte da menina Isabella, em 29 de março. Ele foi contratado pelos advogados do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta da menina, para auxiliar na defesa.

Para o especialista, houve precipitação por parte dos peritos do Instituto de Criminalística e do Instituto Médico Legal (IML) de São Paulo na elaboração dos laudos. “Talvez a pressa, talvez a cobrança, talvez a pressão, não sei. O laudo é inservível, está incorreto. Esse trabalho que está aqui é nulo de direito, porque não tem valor probante. É medíocre. Laudos falhos não têm valor probante”, disse, sobre a atuação dos legistas paulistas.

Causa da morte

Logo no início de sua apresentação, o legista afirmou que Isabella não foi morta por asfixia, ao contrário do que diz o laudo. “Não há asfixia mecânica por esganadura sem marcas externas. Não há como. Não houve esta violência”, afirmou. O principal motivo da morte, segundo ele, foi traumatismo craniano. “Ela tinha lesões terríveis que lhe tiraram a vida. Ela tinha lesões múltiplas de cérebro. Depois observem o encéfalo como ficou”, disse.

O médico-legista contestou o fato de o laudo do IML apresentar duas causas de morte (asfixia mecânica e politraumatismo). “Este laudo é nulo de direito. Ninguém pode ter duas mortes”, completou. Ele afirmou também, com base nos laudos, que não há lesões nas vias respiratórias superiores de Isabella que justifiquem as esganaduras e que não existe esganadura sem arranhões no pescoço. Sanguinetti explicou que o vômito foi provocado no momento em que ela foi entubada pela equipe de socorro médico que atendeu Isabella.

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