Pelé deixa modéstia de lado em entrevista - WSCOM

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31/10/2005


Pelé deixa modéstia de lado

Pelé deixou a modéstia de lado e soltou a língua em entrevista à agência de notícias “Ansa”.

O Rei do Fubebol falou sobre a democracia do futebol, da comparação com Maradona e de Jesus Cristo, além de analisar fatos de sua carreira e do futebol mundial.

Sobre a importância do futebol no mundo, Pelé não deixou dúvidas de que considera o futebol uma das coisas mais democráticas do planeta.

– A bola é redonda e rola por todos da mesma forma. Por isso o futebol é a coisa mais democrática do mundo – afirmou Pelé.

O Rei do Futebol reafirmou que “no futebol todos são iguais” e destacou que a Fifa, entidade que controla o futebol no mundo, tem mais associados do que a Organização das Nações Unidas (ONU).

– Hoje a Fifa tem mais afiliados que a ONU. O futebol não é racista. Basta lembrar quantos outros negros fizeram história no esporte. Além disso, faz um enorme trabalho social e traz desenvolvimento. As empresas que mais cresceram nas últimas décadas são ligadas ao setor, como as de material esportivo – comentou o ex-jogador.

Para exemplificar a força da modalidade, Pelé exagera e cita um fato que, segundo ele, pode ser considerado “uma blasfêmia, mas possui lógica”: ser mais conhecido que Jesus Cristo.

– Sou católico e sei o que Ele e Seus valores significam, mas no mundo há pessoas que acreditam em outras coisas. Na Ásia, por exemplo, existem milhões de budistas. Talvez eles não saibam quem é Cristo, mas de Pelé eles já ouviram falar. E isso representa uma responsabilidade enorme – afirma o ex-jogador, referindo-se a todas as pesquisas mundiais em que, segundo ele, seu nome é mais citado do que o de Jesus.

Os números também foram a base para a comparação com Maradona. O Rei do Futebol respondeu à polêmica de quem teria sido melhor: também foi com base em números que Pelé respondeu à eterna polêmica de quem é melhor, ele ou Maradona.

– Basta olhar os fatos, eu era nitidamente mais completo. Sabe quantos gols Diego fez de cabeça? Eu digo. Nenhum. Já Pelé fez 100. E com o pé direito? Eu ao todo marquei 1.281 vezes. O problema é que os argentinos não se conformam. Primeiro me compararam com Di Stefano, depois com Sivori e então com Maradona. Primeiro decidam quem é o melhor destes três e depois aceitem o fato de que eu sou melhor do qualquer um deles – acrescenta o rei.

Mudando de foco, Pelé também disse quem é o melhor jogador da atualidade em sua opinião. O ex-craque pensou um pouco mas respondeu com firmeza: “Ronaldinho, não há dúvida. Sei que essa escolha me trará críticas. Mas, como disse, o futebol é coisa mais democrática que existe. E ele está sendo escolhido como o melhor por todos, não somente pelo rei”, constatou.

O maior goleador da história do futebol mundial falou sobre a polêmica criada pela omissão de jogadores como Rivelino e Tostão no livro comemorativo dos cem anos da Fifa. Pelé afirma que “o livro se propõe a abraçar a universalidade do futebol. Por isso, inseri um coreano, um japonês e duas mulheres. Mas é claro que uma escolha desse tipo sempre descontenta um ou outro”.

Pelé também disse que o Brasil é o favorito para a Copa da Alemanha, em 2006, mas lembrou que mesmo sendo a seleção mais forte é “perigoso dizer isso”, já que em 2002 os grandes favoritos eram Argentina e França, e ambas foram eliminadas logo na primeira fase.

No fim da entrevista, o ex-craque reclamou da falta de tempo para os familiares causada pelo esporte. Hoje com 65 anos e dois filhos de dez, ele promete que após o Mundial pretende fazer uma viagem com a família, para quem não tem tido tempo, e em seguida se dedicar à sua escola de futebol no litoral paulista, “onde pretendo ensinar aos jovens a se tornarem, antes de tudo, homens e, depois, campeões”.

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