Pastoral Carcerária confirma torturas e superlotação nos presidios, mas diz que - WSCOM

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Paraíba

23/08/2005


Pastoral Carcerária confirma torturas e

O padre Bosco, ligado à Pastoral Carcerária, afirmou em entrevista ao programa Abra o Jogo que o atual sistema prisional está “construindo monstros” e é cada vez pior para o Estado gerir uma situação que se torna cada vez mais difícil com o aumento crescente de apenados. Segundo ele, a Paraíba tenta construir superação para combater as torturas registradas nas penitenciárias.

“Cada estado trabalha no dia-a-dia realizando as visitas e produzindo relatórios. Em João Pessoa, no final de semana, tivemos um encontro com 110 pessoas dos estados do Nordeste”, disse Bosco, apresentando uma carta aberta que mostra as principais preocupações dos que atuam na defesa da humanização nos presídios.

Segundo o padre, a tortura é um dos mais citados aspectos na relação de vida dos apenados, seja com maus tratos, castigos ou pressões psicológicas. “A carta lembra que em alguns estados do Nordeste se constata uma certa diminuição da tortura, mas depende da conjuntura que cada estado vive”, diagnosticou.

Durante a entrevista, padre Bosco afirmou ainda que o Estado gerencia essa situação, tendo a tarefa de reintroduzir os apenados na sociedade, não mais como entraram. “A gente constata se estamos gerando monstros, esse pessoal retorna pior do que entrou no sistema. Temos uma preocupação junto aos psicólogos, assistentes sociais, advogados, Ministério Público que atuam junto ao sistema prisional”, explicou.

Ele disse que, na Paraíba, a situação agora é de fechamento. Segundo ele, houve um período que se chamou de ‘bagunçado e sem disciplina’ na gestão do então secretário de Cidadania e Justiça, Vital do Rego. Na avaliação da Pastoral Carcerária, existia a personalidade e ideologia de Vital, que defendia uma política de humanização, mas que ia de encontro à postura dos agentes.

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