Paris: especialistas discutem efeitos da corrupção na economia - WSCOM

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Economia & Negócios

29/10/2005


Paris: especialistas discutem efeitos da

Os participantes do encontro da Associação de Economia da América Latina e o Caribe, entre eles o presidente do BC do Brasil, Henrique Meirelles, discutiram neste sábado em Paris os efeitos da corrupção na economia.

Segundo as exposições de dois grupos de trabalho, em alguns casos a corrupção produz situações como a redução dos investimentos, mas ao mesmo tempo podem incentivar a poupança, por incrível que parece, como defenderam especialistas brasileiros.

A análise foi centrada sobretudo nos fatores políticos, sociais e culturais que favorecem o surgimento da corrupção, assim como em seus resultados econômicos e suas repercussões no comportamento e nas decisões dos atores econômicos.

Neste contexto, Felipe Campante, da Universidade de Harvard, apresentou um trabalho expondo as condições segundo critério político, em que a corrupção se desenvolve.

O estudo mostrou que um contexto de instabilidade política leva o funcionário a ser mais corrupto, na medida em que os prazos em que pode desfrutar de subornos são mais curtos.

No outro caso, de maior estabilidade, o setor que paga as comissões terá tendência a se interessar por aqueles funcionários destinados a permanecerem em seus cargos, integrando o suborno aos custos.

Duas situações em que o crime determina comportamentos econômicos e sociais foram apresentadas em vários trabalhos, entre eles os dos brasileiros Eduardo Zilberman e João Pinho de Mello, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ).

Com base em dados fornecidos pelo Governo, Zilberman e João Pinho estabeleceram uma estreita relação entre os altos níveis de criminalidade e a grande importância da poupança, como um importante dispositivo de controle demográfico.

A participação de outras instâncias da sociedade têm influência importante no desenvolvimento ou não da corrupção, destacou por sua vez Gisela Waisman, do Instituto para os Estudos Econômicos Internacionais da Universidade de Estocolmo. A este respeito citou o sistema eleitoral, a imprensa e o aparato judicial.

O modelo teórico, destacou, indica que quando a justiça e a imprensa são mais dependentes e as eleições menos competitivas, a corrupção floresce.

Além disso, insistiu na estrita correlação entre estes três fatores, assinalando que quando um deles se fortalece, a efetividade marginal dos demais também aumenta.

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