Para Efraim Morais, Brasil está em estado de 'UTI moral' - WSCOM

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Política

02/08/2005


Para Efraim Morais, Brasil está

O senador Efraim Morais afirmou que “o único acordo com o governo aceito por seu partido seria a apuração até as últimas conseqüências” dos fatos investigados pela CPI dos Correios e do “Mensalão”. Segundo o parlamentar, até que os fatos sejam esclarecidos e os responsáveis punidos,o país estará em uma “UTI moral”.

– Os jornais registram que estaria em curso, neste momento, um grande acordo entre as cúpulas partidárias para minimizar os efeitos da crise política e reduzir o universo dos punidos pelos escândalos protagonizados pelo PT, com vistas à preservação do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva – disse, espantado, o senador, em discurso pela liderança da minoria, nesta segunda-feira (1º).

Efraim informou que o PFL quer a governabilidade e se dispõe a buscá-la, mas não irá compactuar com nenhum acordo, até que os responsáveis sejam devidamente punidos.

O senador disse, também, não haver interesse em desestabilizar o governo, mas que o partido não se oporá aos fatos e irá considerar até mesmo o impeachment, instrumento da democracia, embora espere que a medida não seja necessária.

– A presente crise está sendo governada pelos fatos, como diria Ulysses Guimarães. O presidente Lula promoveu um monstruoso sistema de corrupção, o chamado mensalão, uma excrescência sem precedentes na história republicana deste país. No passado, houve ações pontuais nesse sentido, localizadas. Agora o que vemos é uma atuação sistemática e sistêmica com a compra de voto com dinheiro público, impedindo o embate das idéias. A população questiona a validade de votações polêmicas como a reforma da Previdência e a reforma tributária, perguntando se foram votadas com dinheiro do mensalão – ressaltou.

Em aparte, o senador José Jorge (PFL-PE) disse que o governo quer convencer a oposição de que tudo foi feito por Delúbio Soares e Marcos Valério, mas que, embora possa acreditar na inocência do presidente Lula, é impossível crer que o esquema não fosse comandado pelo ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu.

Efraim citou reportagem do jornal Correio Braziliense que confirmaria o envolvimento de José Dirceu com o esquema bancário de Delúbio Soares e Marcos Valério, com pedido de empréstimo ao Banco Rural e pedido de emprego para a ex-mulher, no BMG.

O senador afirmou que, em entrevista à revista Veja, Dirceu teria afirmado que “fez tudo com o aval do presidente da República.” Na opinião do senador, o único modo de o presidente se desvincular da pecha de ser conivente seria vir a público responder às acusações do “homem forte” de seu governo.

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