Palocci nega acusações de Buratti e diz que permanece no cargo - WSCOM

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Brasil & Mundo

21/08/2005


Palocci nega acusações de Buratti

O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, disse neste domingo que o presidente Lula quer que ele permaneça à frente da pasta, apesar das denúncias feitas pelo advogado e seu ex-assessor, Rogério Tadeu Buratti. A declaração foi feita durante coletiva marcada para este domingo e convocada ontem, depois da publicação de várias denúncias de Buratti contra o ministro.

Palocci disse que telefonou para o presidente Lula antes da entrevista e teria colocado o seu cargo à disposição. “Disse ao presidente que estivesse tranqüilo em relação a qualquer decisão sobre minha permanência na Fazenda.”

Mas Lula, segundo Palocci, teria respondido que deseja que Palocci permaneça à frente do Ministério da Fazenda e que não quer o ministro saia da pasta, nem mesmo temporariamente.

Palocci também negou todas as acusações feitas por Buratti contra ele. Na última sexta-feira, Buratti afirmou a promotores do Ministério Público do Estado de São Paulo que Palocci, quando ainda era prefeito de Ribeirão Preto, recebia R$ 50 mil por mês de empresa de lixo em troca de favorecimento em licitação.

Além disso, reportagem publicada pela revista “Veja” deste final de semana diz que Buratti atuou como lobista de empresários de Ribeirão Preto junto ao gabinete de Palocci.

A entrevista deste domingo faz parte da operação que está sendo montada pelo governo Lula para “blindar Palocci” e evitar que as denúncias de corrupção afetem a economia.

Na última sexta-feira, quando foram Buratti acusou o ministro, o dólar chegou a subir mais de 4% durante o pregão e fechou em alta de 2,94%, a maior em quase 15 meses.

Além da entrevista, o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve declarar apoio ao ministro nos próximos dias, indicando que ele seguirá no cargo e que não haverá mudanças na política econômica.

Ontem, durante discurso na zona leste de São Paulo, Lula afirmou que o país enfrenta um “jogo rasteiro”, mas que a “verdade vencerá”. Ele, no entanto, não comentou diretamente as denúncias contra Palocci.

Nota

Na última sexta-feira, logo após promotores tornarem públicas as denúncias de Buratti, o ministro divulgou nota rebatendo as acusações. Ele negou ‘veementemente’ que tenha recebido propina das empresas de coleta de lixo de Ribeirão Preto. Além disso, o ministro criticou o Ministério Público por vazarem as declarações.

Os promotores que investigam possíveis irregularidades na prefeitura durante a gestão Palocci responderam que o processo não corre em segredo de Justiça e que o depoimento é de interesse público.

O promotor Aroldo Costa Filho afirmou ontem, entretanto, que vai encaminhar denúncias e provas que envolvem diretamente Palocci para a Procuradoria Geral da União e para o STF (Supremo Tribunal Federal). Por ser ministro, ele só pode ser processado pelo STF, instância máxima do Judiciário brasileiro.

Buratti

O advogado e ex-assessor de Palocci foi preso na última quarta-feira acusado de crime de lavagem de dinheiro e tentativa de destruição de documento, mas nesta sexta-feira, depois de aceitar acordo de delação premiada, prestou depoimento e foi liberado.

Ele afirmou que o dinheiro pago a Palocci seria depois repassado ao ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, que já admite ter montado um esquema de caixa dois para financiar campanhas políticas do partido.

Também afirmou que o sucessor de Palocci na Prefeitura de Ribeirão Preto continuou recebendo a mesada de R$ 50 mil depois que o atual ministro se licenciou do cargo para integrar a equipe de Lula.

Buratti foi assessor parlamentar de José Dirceu na década de 80 e secretário de Governo na primeira gestão de Palocci na Prefeitura de Ribeirão Preto (1993-1996). Em 94, saiu após uma denúncia de favorecimento. Desde sua saída da prefeitura, Buratti trabalhou cinco anos como consultor da empresa Leão Leão, suspeita de estar envolvida no pagamento de propina ao ministro.

Desqualificação

Além da nota de Palocci negando todas essas acusações, a estratégia de defesa do governo e do PT também incluiu declarações de desqualificação das denúncias.

“Acho que já entraram em uma fase de investigação meio delirante”, disse o presidente do PT, Tarso Genro.

Ele lembrou que Buratti depôs após acordo de delação premiada e que, por isso, teria interesse em envolver o ministro para que possa ter sua pena reduzida caso seja condenado pela Justiça.

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