Mulheres mobilizam mais de 28 países em ato contra Bolsonaro; por Andrea Bezerra Cavalcanti - WSCOM

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Política

02/10/2018


Mulheres mobilizam mais de 28 países em ato contra Bolsonaro; por Andrea Bezerra Cavalcanti

Foto: autor desconhecido.

 

As ruas do Brasil foram transformadas pela expressão política militante feminista mais significativa que pude vivenciar. A manifestação feminista suprapartidária une grupos da esquerda à direita e cruzou o oceano, mobilizando mais de 28 países, no último sábado, dia 29 de setembro.

“Mulheres contra Bolsonaro” nasceu na internet, de imediato convocou a adesão masculina, LGBT, de diversas e numerosas categorias profissionais, legendas multicoloridas, além de personalidades internacionais que também se posicionaram contra a bandeira do nazifascismo bolsonarista. As menções de apoio e registros viralizaram e podem ser visualizadas nas principais redes sociais através da tag “#elenão”.

O feminismo luta por paridade, tem o dever histórico de dar visibilidade às relações desiguais de gênero, que influenciam todos os espaços e, com isso, o compromisso de transformar a realidade, dada a relevância da nossa presença massiva. Nunca houve um presidenciável que propagasse tanto a inferioridade étnica e a submissão feminina, nestas proporções.

As estruturas coloniais de hierarquização, do poder, do ser, do saber, permanecem atuantes na construção da sujeição da mulher. A assimetria e opressão de gênero é útil ao avanço do capitalismo atual, neoliberal. Faz parte do projeto de acumulação, a individualização do social, a intensificação das desigualdades e precarização do trabalho. A manutenção do estado de crescente desigualdade social ataca políticas estruturais, conquistas históricas, reduz o orçamento destinado às políticas públicas essenciais e atua na desmobilização das lutas e resistências.

Assistimos perplexos ao recuo das conquistas de direitos da mulher, indígenas, camponeses, quilombolas, dos povos tradicionais e da classe trabalhadora, historicamente explorada e empobrecida.

Contudo, as conquistas feministas resistem, não pela generosidade dos poderes sexistas, políticos e econômicos, que operam na manutenção do patriarcado, mas pela luta cotidiana. A geógrafa Maria Franco adverte, em Feminismos, sujeitos políticos e territórios: “é preciso lembrar que os sujeitos políticos feministas não são fenômenos meteorológicos, não caímos dos céus, mas nos constituímos na concretude da prática política. Ou seja, a teoria feminista não nos faz feminista, é o exercício”.

O movimento das mulheres expandiu e a intolerância acionou uma rejeição jamais vista na história do Brasil, incitando uma onda feminista de resistência e impressionante potencial agregador, decisivos no processo eleitoral que se aproxima. A revolução é feminista.

 

Por Andrea Bezerra Cavalcanti

 

 

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