ONU pede fim imediato de atividades nucleares no Irã - WSCOM

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Internacional

11/08/2005


ONU pede fim imediato de

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão da Organização das Nações Unidas, aprovou nesta quinta-feira uma resolução que pede que o governo do Irã interrompa imediatamente a produção de urânio enriquecido –o material pode ser usado na produção da bomba atômica.

O texto também expressa “grande preocupação” sobre as atividades nucleares do Irã. Os diplomatas deixaram claro que se progressos no assunto não forem feitos até o dia 3 de setembro, o órgão informaria o Conselho de Segurança da ONU, que possui poder de impor sanções ao país.

O regime iraniano retomou na última segunda-feira (8) o seu programa na usina de Isfahan, sob advertências da União Européia e dos Estados Unidos.

Na resolução, é informado que “importantes assuntos relacionados ao programa nuclear iraniano ainda precisam ser resolvidos, e a agência ainda não está em posição de concluir que não existem material ou atividades nucleares não declaradas no Irã.

Os diplomatas informaram no texto que, em 2004, a AIEA considerou que “todo material nuclear declarado pelo Irã foi analisado e não foi direcionado para atividades proibidas”. O chefe da agência, Mohamed El-Baradei, afirmou que “o único modo eficiente que eu vejo de avançarmos é por meio de negociações”. “Nós estamos trilhando o caminho do acordo, e não da confrontação.”

Indignação iraniana

O Irã reagiu com indignação contra a medida. Para o chefe da delegação do país na AIEA, “é evidente que o motivo [da resolução] é fazer pressão”. Sirus Nasseri afirmou que “felizmente o Irã não se curvará. O Irã será um produtor de combustível nuclear dentro de uma década”.

O enviado dos Estados Unidos a AIEA, Gregory Schulte, disse à imprensa que a resolução mostra que “a comunidade internacional está unida na determinação de tirar o Irã do perigoso curso que se está desenvolvendo”.

Sirus Nasseri complementa que Teerã considera o texto inaceitável porque impede a produção de urânio enriquecido e outras atividades relacionadas que são autorizadas pelo Tratado de Não-Proliferação Nuclear. “Tudo que o Irã quer é exercer o seu direito dentro do tratado, um direito que vem sendo negado há duas décadas”, afirmou.

Nesta terça-feira o Irã rompeu os lacres da usina de Isfahan, o que permite transformar pó de urânio concentrado em gás hexafluoreto UF6, processo prévio ao enriquecimento deste elemento radiativo.

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