ONU diz que situação na Costa do Marfim é alarmante e confirma massacre - WSCOM

menu

Internacional

08/04/2011


Situação na Costa do Marfim é alarmante

ONU

Foto: autor desconhecido.

A situação humanitária na capital financeira da Costa do Marfim, Abidjã, é "alarmante", com incontáveis corpos pelas ruas, com bairros inteiros sem água e eletricidade e com escassez de alimentos, advertiu a ONU (Organização das Nações Unidas) nesta sexta-feira (8).

A nação africana está em guerra civil desde novembro de 2010, quando o presidente Laurent Gbagbo se recusou a transferir o poder a Alassane Ouattara após perder as eleições para o rival. Nos últimos sete dias, o conflito se intensificou em Abidjã, centro econômico da Costa do Marfim. Forças leais a Ouattara voltaram a bombardear a residência oficial de Gbagbo, onde ele permanece protegido em um abrigo por oficiais que o apoiam.

No oeste do país, a situação não é melhor, e o porta-voz do alto comissariado da ONU para os Direitos Humanos, Rupert Colville, confirmou hoje que foram encontrados os corpos de 244 marfinenses da etnia guere na cidade de Duekoué.

Os mortos apoiavam o ex-presidente Laurent Gbabgo e teriam sido assassinados durante os dias 28 e 29 de março quando as forças de Ouattara, tomaram o controle dessa cidade, disse o porta-voz.

Os últimos cem corpos foram descobertos nas últimas 24 horas, acrescentou Colville, dizendo que algumas destas pessoas tinham sido queimadas vivas.

Elizabeth Byrs, porta-voz do Escritório de ajuda humanitária da ONU, diz que Abidjã, com cinco milhões de habitantes, está ameaçada pela falta de produtos para o tratamento de água. Pode ser que no próximo domingo já haja falta de água potável.

Ela acrescentou que "muitos hospitais e clínicas simplesmente pararam suas atividades, e os que não fecharam, não têm médicos suficientes, remédios nem outros materiais básicos".

Elizabeth disse que a assistência humanitária em Abidjã é mínima devido à falta de acesso e ao perigo. Por sua vez, o porta-voz da OIM (Organização Internacional das Migrações), Jean-Philippe Chauzy, assinalou que não se tem notícias de cerca de 3.000 imigrantes malinenses, entre eles muitas mulheres e crianças, que estavam há duas semanas refugiados no porão da embaixada de Mali, sem água nem eletricidade.

Corredores humanitários

As agências humanitárias da ONU lançaram um apelo nesta sexta-feira pela abertura de corredores humanitários na Costa do Marfim para ajudar os refugiados que fogem da violência.

O Programa Mundial de Alimentos disse ter distribuído mantimentos para seis dias na cidade de Duekoue, onde milhares de pessoas se refugiaram.

Algumas informações do começo desta semana tinham indicado que muitos destes imigrantes tinham sido feridos por balas ou por golpes de facão em ataques realizados por homens armados partidários de Gbabgo

Notícias relacionadas