Novo Cidadão Pessoense, presidente da Academia de Letras descreve a essência humana - WSCOM

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Paraíba

25/11/2018


Novo Cidadão Pessoense, presidente da Academia de Letras descreve a essência humana

Foto: autor desconhecido.

 A cidade, a cidadã e o cidadão

Ser pilarense, itabaianense ou pessoense não é um título, é uma vida. Pode haver vida sem título, mas como se reconhece ou se explica um título sem vida? Seria como uma garrafa, com rótulo, mas vazia, solta num imenso mar. O conteúdo é o que dá significado ao título, como a substância, aos entes, às entidades, sejam essas denominadas mitológicas, autárquicas, sociológicas ou históricas.

Sonhando um pesadelo, a cidade parecia estar vazia. Cheia de ruas, de becos, de casas, de prédios desabitados, de carros, de ônibus, de trens e de comboios sem passageiros. A natureza ainda vivia… As águas da Lagoa estavam silenciosamente paradas; somente o rio corria, também o vento, assobiando pelas frestas das velhas portas e janelas, e fazendo as folhas de algumas árvores centenárias se movimentarem. Eram apenas coisas que faziam parte da urbs; coisas urbanas, como o esgoto, os abandonados transportes urbanos, as igrejas sem rezas, os reconhecidos logradouros, coisas deixadas, sem vida, que se inferiorizavam no meio da ainda verde natureza.

Agoniado pesadelo, sem distância um lugar macabro; a cidade estava vazia: nenhuma mulher para o mundo das crianças, tampouco alguma criança para o mundo dos adultos, sequer um experiente idoso para nos contar o que teria acontecido. Se houver, aonde irão as vindouras gerações? Seria uma cidade vítima de tão “desejadas” armas ou talvez de catástrofes; porventura um povoado coletivamente deserdado. Mesmo dormindo, aparecia um estranho convencimento: sem gente, não há cidade; aquilo era apenas um amontoado de coisas fabricadas ou construídas.

Havia a urbs, faltava a civitas; a urbs é a estrutura, a civitas, o organismo. Para haver cidade, fazem-se necessários cidadãs e cidadãos; e para serem felizes, comportando-se coletivamente como gente daquela cidade, libertando-se do “homo lúpus homini”, de Plauto; simplesmente sendo o povo povoando o povoado, no exemplo e pureza da “primeira comunidade cristã” (Atos dos Apóstolos, 4, 32 a 35). Ou vivenciando o que nos alerta Thomas Merton: “Homem algum é uma ilha” …

Por professor Damião Ramos Cavalcanti

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