Nova verticalização pode aproximar PMDB de Lula - WSCOM

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Brasil & Mundo

07/06/2006


Nova verticalização pode aproximar PMDB

BRASÍLIA – A nova interpretação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a regra da verticalização tornou incerto o cenário eleitoral a três dias do início das Convenções partidárias. Pela regra, os partidos que não fecharem coligações na eleição presidencial não poderão ficar livres para a fazer qualquer aliança nos Estados.

Neste ambiente, o PMDB torna-se o fiel da balança e a eleição de outubro tende a ficar polarizada entre o PT, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e PSDB, de Geraldo Alckmin. Mas os partidos não desistiram de alterar a interpretação do TSE e preparam novas consultas ao Tribunal e ações no Supremo.

“Na maioria dos Estados, o PMDB está mais perto do PT, mas nos Estados do Sul e Sudeste, há uma preferência por Geraldo Alckmin. Mas o cenário ainda está difuso e há um frisson e um nervosismo em todos os partidos por conta da mudança”, afirmou o líder do PMDB no Senado, Ney Suassuna (PB).

Lideranças do Senado reúnem-se para discutir os efeitos da nova interpretação e estão em constante diálogo com o presidente do TSE, ministro Marco Aurélio, para tentar esclarecer a regra. “Enquanto não ficar claro a nova regra, não podemos prever nada”, acrescentou Suassuna.

A alteração da interpretação causou irritação por parlamentares sobretudo por alterar o rumo de todas as negociações políticas que vinham sendo feitas desde o início do ano. “É a continuidade do abuso da regra da verticalização que causa instabilidade eleitoral, numa clara decisão anti-democrática”, afirmou o presidente do PPS, deputado Roberto Freire (PE).

O PPS havia decidido não ter candidato nacional e dar apoio informal a Alckmin, mas Freire admitiu que caberá formar uma coligação com PSDB e PFL, caso a Convenção do partido decida pelo apoio ao principal candidato da oposição. “Mas pode até reverter o cenário e retomar as conversas entre PPS, PV e PDT”, afirmou, nesse caso, Freire, que havia desistido da disputa, poderia voltar à corrida ao Palácio do Planalto.

O presidente do PPS acredita ainda que outras teses podem voltar a ganhar corpo, como a candidatura própria do PMDB, que ao invés de favorecer Lula ou Alckmin poderia forçar a realização de um segundo turno, que hoje é praticamente improvável devido ao fortalecimento do favoritismo do presidente para ganhar em primeiro turno.

Para o ex-ministro e deputado Agnelo Queiroz (PCdoB-DF), candidato ao governo do Distrito Federal, o TSE tomou uma decisão absurda e extrapolou suas atribuições de tribunal. “O Tribunal está legislando e isso é uma violência contra a democracia que compromete a estabilidade do jogo político”, afirmou Queiroz.

O petista José Eduardo Cardozo (SP) elogiou a decisão do Tribunal e citou como único fator inconveniente é a mudança repentina da regra. “Foi uma decisão correta juridicamente e politicamente porque é um passo na direção do fortalecimento dos partidos e uma interpretação certa da verticalização”, afirmou deputado do PT.

O líder da minoria na Câmara, deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA), afirmou que seu partido encaminha nesta tarde uma nova consulta ao TSE para buscar explicações sobre a nova interpretação. “O que houve foi um terremoto, mas não podemos impedir o tribunal de interpretar a lei, nós legislamos e eles lêem a regra”, disse o líder.