Na véspera da prisão, Cícero foi monitorado a partir do aeroporto de São Paulo - WSCOM

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Política

11/08/2005


Na véspera da prisão, Cícero

EXCLUSIVO – Operações policiais costumam produzir cenas de cidadãos flagrados de pijamas e descabelados. A Confraria detonada mês passado em João Pessoa, entretanto, encontrou o ex-prefeito Cícero Lucena preparado para o que iria enfrentar. Ele estava vestido e ladeado pelo advogado Walter Agra, já de terno e pronto para o trabalho. Os detalhes dos bastidores da prisão reforçam a suspeita de que ele teria sido avisado e revelam que a ação policial começou longe da mansão do ex-prefeito no Bessa. Cícero Lucena começou a entrar na mira dos agentes da PF na noite anterior a prisão, dentro de um vôo São Paulo-João Pessoa.

A rede de informações da Polícia Federal começou a funcionar no momento em que foi expedida a ordem judicial para a prisão do ex-prefeito. Ele foi localizado no Aeroporto de Congonhas em São Paulo, pronto para retornar a João Pessoa. A partir daí, agentes foram acionados para monitorar os passos de Cícero.

No Aeroporto Internacional Guararapes, em Recife, agentes também o seguiam e registravam o ex-prefeito nos rituais comuns de passageiros em conexão. Cícero Lucena tomou café e foi ao banheiro. Neste momento, não demonstrava saber que estaria protagonizando, como principal personagem, o escândalo detonado com a Operação Confraria.

Sem surpresa – A vigilância continuou no Aeroporto Castro Pinto até a chegada em casa. No momento em que os agentes da Polícia Federal chegaram em sua mansão no Bessa, porém, ele estava ausente. Acredita-se que estava no escritório de Walter Agra, com quem chegou minutos depois.

O ex-prefeito foi contatado por celular, não manifestou surpresa nem esboçou reação. Sabe-se, porém, que a PF temia a abordagem em função da residência ser vigiada por integrantes da Polícia Militar. Apesar do temor, a entrada dos agentes não foi dificultada.

Na noite anterior, antes de começar a perseguição, duas pessoas foram comunicadas sobre o início da Operação Confraria: o secretário de Segurança Pública do Estado Harrisson Targino e o governador Cássio Cunha Lima. Eles não sabiam, porém, que se tratava de Cícero Lucena. O comunicado se limitou a informar que um secretário de Estado seria preso.

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