Na ABL, Ronaldinho rejeita o rótulo de doutor, mas manda sua letra - WSCOM

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Futebol

11/04/2011


Fla homenageia paraibano

110 anos

Foto: autor desconhecido.

Ronaldinho Gaúcho é mais chegado em pandeiro do que em livro. Mas no início da tarde desta segunda-feira, o camisa 10 do Flamengo esteve na Academia Brasileira de Letras (ABL), no Centro do Rio, para participar da homenagem pelos 110 anos de nascimento do escritor e torcedor rubro-negro José Lins do Rego. Tratado como ‘Doutor Ronaldinho’ na plaquinha que demarcava seu lugar na mesa, ele fugiu do rótulo.

– Doutor, não. Não… – brincou Ronaldinho, gargalhando, depois de o presidente da ABL, Marcos Vilaça, ter revelado o que estava escrito na placa.

– Ele é doutor do futebol – completou outro convidado da solenidade.

O jogador dispensou o terno. Ronaldinho apareceu na ABL de camisa social preta, calça jeans, a tradicional boina, brinco de brilhante, cordões, pulseiras e relógio de ouro. Vanderlei Luxemburgo, Patrícia Amorim e outros dirigentes do Flamengo estiveram presentes.

Ronaldinho e Vanderlei receberam a medalha Machado de Assis, a maior honraria da ABL. Patrícia Amorim foi agraciada com a medalha do ano comemorativo de Joaquim Nabuco.

– Fui o primeiro e único jogador a receber esta homenagem. Acho que isso aconteceu por eu estar no Flamengo na hora e no momento certos.

Ronaldinho esteve atento aos discursos. Algumas vezes, gargalhava. Em outras, parecia meio sem ambiente e com cara de ponto de interrogação. O camisa 10 e Vanderlei entregaram ao presidente da ABL uma camisa do Flamengo com o número 10 e o nome de José Lins do Rego gravado nas costas. A peça ficará no Centro de Memória da Academia. Depois, todos os presentes almoçaram sem a presença dos jornalistas.

O camisa 10 brincou com o fato de ter dado um passe de letra para Rodrigo Alvim no domingo, no clássico contra o Botafogo, um dia antes de estar entre os letrados.

– Foi coisa do destino.

Perguntado se pode ser considerado um imortal no futebol, Ronaldinho, meio sem jeito, disse:

– Não.

Foi o suficiente para alguns presentes afirmarem que ‘sim’, e aplaudirem o jogador, que completou:

– Já passei por muitas coisas boas, pretendo continuar no mesmo nível para as pessoas lembrarem de mim daqui a alguns anos.

José Lins do Rego Cavalcanti nasceu em 1901, no Estado da Paraíba, e morreu em 1957 na cidade do Rio de Janeiro. O escritor ficou conhecido por obras como o Menino do Engenho e Fogo Morto, e foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras. Por volta de 1935, ele tornou-se um dos diretores do Flamengo.

Cercado de quadros de escritores imortalizados por suas obras, Ronaldinho aprendeu um pouco mais sobre o que é letra no lado de fora dos gramados. Dentro de campo, o camisa 10 luta para escrever sua história e se tornar um imortal no Flamengo.

 

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