Morte de jornalista americano no Iraque aumenta temor de extremismo - WSCOM

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Internacional

03/08/2005


Morte de jornalista americano no

Vincent, um jornalista independente que publicava na Internet e escrevia artigos para “The New York Times”, “Christian Science Monitor” e “National Review”, foi encontrado morto em Basra, onde teria chegado alguns meses atrás para apurar a história desse porto do sul iraquiano. O corpo apresentava marcas de balas.

Num artigo publicado no domingo no “Times”, intitulado “Switched Off in Basra” (Desconectado em Basra), Vincent criticava duramente a estratégia britânica de não enfrentar os esforços das organizações xiitas para tomar o controle da cidade.

As tropas britânicas são responsáveis pela segurança no sul do Iraque, inclusive na cidade de Basra.

Vincent denunciou que os partidos e clérigos xiitas infiltravam seus seguidores na Polícia local. Os xiitas têm, segundo Vincent, “uma lealdade dividida entre a mesquita e o Estado” e impõem seus códigos sociais religiosos – como a vestimenta – sobre os atemorizados moradores de Basra.

“Temerosos de aparecerem como ocupantes coloniais, os britânicos evitam qualquer coisa que se pareça com doutrinamento ideológico”, afirmava. “No período em que passei com eles, não vi um instrutor explicar princípios democráticos tão elementares como o papel politicamente neutro da Polícia numa sociedade”.

Depois dos ataques de 11 de setembro de 2001 ao World Trade Center, que testemunhou do terraço de seu apartamento em East Village, em Nova York, e do começo da invasão ao Iraque, Vincent decidiu viajar para Bagdá.

Duas viagens em 2003 e 2004 deram origem a um livro: “In the Red Zone: A Journey into the Soul of Iraq” (Na zona vermelha: uma viagem à alma do Iraque).

Apesar dos riscos, Vincent despachou os guarda-costas empregados pela maioria dos repórteres no Iraque e tomava táxis para realizar suas entrevistas, junto com seu intérprete, Noor al-Khal, que ficou seriamente ferido durante o seqüestro do jornalista na noite de terça-feira.

Em seus artigos, Vincent expressava seu apoio à guerra no Iraque, a qual via como parte de uma luta contra o extremismo religioso, mas não ocultava sua decepção perante o que considerava o fracasso das forças ocupantes em impulsionar uma democracia genuína no país.

“Senti que estava vivendo um romance de Graham Greene”, escreveu em sua página web em julho.

“Um romance sobre um soldado americano que se dá conta de que o que funciona tão bem na teoria tem resultados imprevisíveis quando se aplica à realidade do Iraque”, afirmou.

Jornalistas que o conheciam em Basra disseram que Vincent havia praticamente terminado a pesquisa para seu segundo livro e pensava em passar férias em Nova York antes de voltar ao país para cobrir as eleições nacionais iraquianas em dezembro.

O Comitê para a Proteção de Jornalistas (CPJ na sigla em inglês) divulgou em Nova York uma nota de protesto contra a morte de Vincent, declarando-se “consternado e alarmado com o assassinato” e pedindo “aos iraquianos e à coalizão que façam o que puderem para identificar os responsáveis e levá-los à justiça”.

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