Missão brasileira vai a Londres investigar morte de Menezes - WSCOM

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Internacional

22/08/2005


Missão brasileira vai a Londres

Dois funcionários brasileiros do primeiro escalão chegaram na segunda-feira a Londres para participar das investigações sobre a morte de Jean Charles de Menezes, assassinado pela polícia britânica em julho ao ser confundido com um homem-bomba.

O incidente aconteceu em uma estação do metrô, um dia depois de quatro frustradas explosões na cidade e duas semanas após o ataque que matou quatro militantes suicidas e 52 outras pessoas. A morte de Menezes, de 27 anos, desencadeou pedidos pela demissão do chefe da polícia londrina, Ian Blair.

“Estamos aqui para ver como a investigação funciona”, disse Márcio Pereira Pinto Garcia, do Ministério da Justiça, ao chegar com Wagner Gonçalves, da Procuradoria Geral da República, ao aeroporto de Heathrow.

A dupla se encontrará, ainda na segunda-feira, com o vice-comissário-assistente da Polícia Metropolitana, John Yates, e na quarta-feira ouvirá os investigadores da Comissão Independente de Queixas contra a Polícia (IPCC), espécie de corregedoria que investiga todas as mortes provocadas por policiais. A comissão disse na semana passada que a polícia inicialmente resistiu à investigação.

Ian Blair, que a princípio elogiou a ação de seus agentes, rejeitou a pressão para renunciar e revelou no fim-de-semana que, até 24 horas após o incidente, não sabia que o suspeito morto era inocente.

Documentos que vazaram na semana passada da IPCC revelaram erros graves e colocaram em dúvida os relatos iniciais de policiais e testemunhas, segundo os quais Menezes agia e se vestia de forma suspeita e tentou fugir ao ser abordado.

Parentes de Menezes pediram a demissão de Ian Blair por causa das falhas policiais e das contradições posteriores.

O primeiro-ministro Tony Blair, que está de férias em Barbados com a família, deu apoio ao chefe de polícia.

Parentes e amigos de Jean Charles de Menezes realizam na segunda-feira uma grande manifestação diante da residência oficial do primeiro-ministro britânico, pedindo um inquérito público sobre o caso.

Os jornais de domingo disseram que agentes à paisana que seguiram Menezes quando ele saiu do seu prédio, como parte das investigações sobre os atentados, não acreditavam que ele representasse uma ameaça imediata.

Eles ficaram, portanto, chocados ao verem policiais armados entrando no vagão, na estação Stockwell, e dando oito tiros no brasileiro, segundo a reportagem, que cita fontes policiais de primeiro escalão.

Mas os agentes armados insistem que não teriam baleado o rapaz se ele não tivesse sido apontado como suspeito pela equipe de vigilância.

Advogados da família Menezes duvidam que a cúpula da polícia não soubesse a verdade logo após o incidente, apesar de Ian Blair dizer que o erro só foi confirmado no dia seguinte.

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