Miss Turquia perde título por causa de tuíte - WSCOM

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Brasil & Mundo

22/09/2017


Miss Turquia perde título por tuíte

POLÊMICA

Foto: autor desconhecido.

 A Miss Turquia perdeu seu título nesta sexta-feira, um dia depois vencê-lo, após a divulgação de um tuíte seu em que comparava sua menstruação com o sangue derramado pelas vítimas do falido golpe de Estado de 2016. A vencedora do principal concurso de beleza do país, Itir Esen, causou polêmica quando a mensagem que escreveu há dois meses foi difundida nas redes sociais.

 O primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, participa de um encontro anual com o Conselho Supremo Militar em Ancara, na Turquia Conselho militar turco troca comandantes das Forças Armadas

 "Esta manhã fiquei menstruada para celebrar o dia dos mártires do 15 de julho. Comemoro este dia vertendo o sangue derramado por nossos mártires", tuitou Esen, de 18 anos, no dia 16 de julho, um dia depois do primeiro aniversário da tentativa de golpe de Estado.

As declarações da miss indignaram muitos internautas em um país onde a memória das vítimas do falido golpe de Estado ainda está muito vida. Os organizadores do concurso retiraram a vitória de Esen e asseguraram que não haviam visto o tuíte antes de sua eleição.

"A organização Miss Turquia, cujo objetivo é promover e dar uma boa imagem da Turquia no mundo, não pode aceitar uma publicação assim", declararam os organizadores do concurso em um comunicado divulgado no Facebook.

As cerca de 250 vítimas da tentativa de golpe de Estado em 2016 são um objeto de culto nacional na Turquia, onde seus retratos estão onipresentes no espaço públicos. Em seus discursos, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, se refere frequentemente aos "mártires" do golpe falido.

Esen não é a primeira miss turca que sofre as consequências de suas publicações nas redes sociais. No ano passado, Merve Büyüksaraç, eleita Miss Turquia em 2006, foi condenada a dois meses de prisão por compartilhar no Instagram uma versão modificada do hino nacional turco com insultos a Erdogan.

EXPURGO APÓS TENTATIVA DE GOLPE

Com uma dura resposta que ainda estremece o país, cenário de incessantes expurgos, Erdogan falou um ano após o golpe em cortar cabeças e citou a prisão americana na base naval de Guantánamo, insinuando violações de direitos básicos dos detidos pela intentona, a quem chamou de terroristas. Pouco antes da meia-noite de 15 de julho de 2016, uma apresentadora de televisão anunciou a queda do governo.

Antes do anúncio dos golpistas, aviões militares começaram a sobrevoar Ancara a baixa altitude, e os tanques saíram às ruas. O balanço total dessa violenta jornada chegou a 249 mortos, entre civis e militares. Doze horas depois, o primeiro-ministro, Binali Yildirim, anunciou de seu gabinete, que a "infame tentativa de tomar o poder havia sido derrotada". Após o golpe de Estado falido, a Turquia vem promovendo um expurgo. Quase 500 pessoas acusadas de participação começaram a ser julgadas em agosto por suspeita de conspiração contra o governo.

O principal acusado é o líder religioso Fethullah Gülen, que será julgado à revelia. O clérigo, apontado pelo governo como o responsável pela tentativa de golpe, mora no exílio na Pensilvânia, Estados Unidos, e nega todas as acusações. Em maio, outro processo contra quase 200 acusados de participação na tentativa de golpe aconteceu sob fortes medidas de segurança. Na ocasião, grupos de manifestantes também pediram a pena de morte para os réus.

Durante a tentativa de golpe morreram quase 250 pessoas, sem considerar as pessoas envolvidas no intentona que faleceram. Vários processos foram abertos nos últimos meses e quase 50 mil pessoas acusadas de serem partidárias de Gülen foram detidas.

Pouco antes da meia-noite de 15 de julho de 2016, uma apresentadora de televisão lia, visivelmente angustiada e coagida, leu uma declaração de um setor do Exército turco, anunciando a queda do governo. Antes do anúncio dos golpistas, aviões militares começaram a sobrevoar Ancara a baixa altitude, e os tanques saíram às ruas. O balanço total dessa violenta jornada chegou a 249 mortos, entre civis e militares.

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