'Mensaleiros' se valem dos ausentes para ficar impunes - WSCOM

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Brasil & Mundo

24/03/2006


'Mensaleiros' se valem dos ausentes

Praticamente todos os partidos ajudaram a absolver os deputados federais Wanderval Santos (PL-SP) e João Magno (PT-MG) anteontem à noite no plenário da Câmara. Eles são acusados de envolvimento com o escândalo do “mensalão”.

Um total de 94 deputados, ou 18,3% da Casa, não apareceu para votar em ao menos uma das cassações, contribuindo para um quórum baixo que beneficiou os acusados. Destes, 59 faltaram às duas votações.

Wanderval foi o maior beneficiado pelo baixo comparecimento. O deputado teve a cassação defendida pela maioria do plenário. Seu processo sempre foi considerado um dos mais graves porque é acusado de ter “terceirizado” seu mandato para a Igreja Universal e de ter disponibilizado um assessor para sacar R$ 150 mil das contas de Marcos Valério de Souza.

Porém, faltaram 15 votos para cassá-lo e atingir o quórum mínimo de 257 deputados, maioria absoluta da Casa. Apenas 444 votaram, com 68 ausentes. A Câmara tem 513 deputados. Como o presidente da Casa, Aldo Rebelo, só vota em caso de empate, a soma de votantes e ausentes resulta em 512 parlamentares.

Magno, cuja absolvição já era esperada, teve 201 votos pela cassação, seis a menos do que os contrários à perda de mandato. A votação foi ainda mais desfalcada, com apenas 426 deputados no plenário, 86 a menos que o total que poderia votar. O petista recebeu R$ 426 mil do esquema do publicitário Marcos Valério para sua malsucedida campanha à Prefeitura de Ipatinga (MG).

A própria oposição, que teoricamente teria interesse nas duas cassações, dormiu no ponto.

Na votação de Wanderval, faltaram 10 deputados da bancada do PFL (outros 3 faltaram à de Magno) e 6 do PSDB. Ou seja, se todos os deputados dos dois partidos tivessem aparecido e votado pela cassação, o deputado do PL teria perdido o mandato.

A única legenda com 100% de comparecimento nas duas votações foi o PSOL, que tem 7 deputados federais e adotou como linha a defesa da cassação de todos os “mensaleiros”.

O partido com mais ausências foi o PP, com 14, reflexo da irritação com a cassação de seu presidente, Pedro Corrêa (PE), na semana passada. Deputados pepistas diziam nos corredores da Câmara que não fariam esforços para salvar ninguém depois de ver seu presidente abandonado pelas outras legendas. Em seguida vieram PFL, com 13 ausentes, PMDB e PTB, com 12, e PT, com 11.

A ausência de tantos pefelistas surpreendeu o comando do partido. O líder Rodrigo Maia ( RJ) recusava-se a acreditar na cifra e insistia que eram apenas cinco os ausentes. Já o deputado ACM Neto (PFL-BA) conferia a lista de faltosos, incrédulo. “Falei para esse povo ficar aqui!”

Alguns deputados não escondiam a insatisfação. Chico Alencar (PSOL-RJ) resolveu ser irônico. Apresentou um projeto de resolução fictício criando o “Conselho de Estética e Covardia Parlamentar”, que teria por função defender os deputados do “monstro da opinião pública”. Passaria a valer a partir de 1º de abril, o Dia da Mentira.

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