Médicos confundem malária com outras doenças - WSCOM

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Saúde

26/04/2011


Malária é confundida com outras doenças

Informação

Foto: autor desconhecido.

Nessa segunda-feira (25) comemora-se o Dia Mundial da Malária, instituído em 2008 pelas Organizações das Nações Unidas (ONU). A meta internacional é erradicar as mortes causadas pela doença até 2015. O caminho, entretanto, ainda é longo. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que atualmente a malária é a endemia parasitária mais prevalente no mundo, afetando cerca de 250 milhões de pessoas em mais de 109 países, especialmente na África, Ásia e América Central. No Brasil, o Ministério da Saúde explica que a doença é endêmica na região amazônica, mas com transmissão esporádica em outras regiões devido à presença de vetores em mais de 80% do território nacional. Diagnosticar a doença o mais cedo possível é muito importante para evitar mortes. Porém, um estudo conduzido por Anielle de Pina Costa, pesquisadora do Centro de Pesquisa, Diagnóstico e Treinamento em Malária da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), mostra que essa não é uma tarefa fácil em regiões onde não há uma cultura de malária.

 

O estudo, que contou com a colaboração de outros pesquisadores da Fiocruz, explica que embora a tríade clássica da malária seja constituída por calafrios, febre intermitente e cefaleia, os sintomas da fase inicial (mal-estar, náuseas, tonturas, cansaço, mialgia, febre contínua e sudorese) são inespecíficos e comuns à maioria das síndromes febris agudas, o que pode confundir profissionais de saúde e retardar o seu diagnóstico.

 

“Tal retardo, comum em áreas onde a doença não é endêmica, pode resultar em doença grave e óbito, também proporcionalmente mais comum na região extra-amazônica”, explicam os autores, no estudo intitulado “Diagnóstico tardio de malária em área endêmica de dengue na extra-Amazônia brasileira: experiência recente de uma unidade sentinela no Estado do Rio de Janeiro”.

 

Publicado na Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, em setembro de 2010, o estudo mostra três exemplos onde a malária foi confundida com dengue. Segundo os autores, os médicos generalistas que atenderam esses pacientes falharam ao não associarem a persistência de febre após sete dias de evolução, não usual na dengue, mas comum na malária não tratada.

 

Além da febre, a pesquisa explica que achados do exame físico como palidez e esplenomegalia, característicos da malária e pouco usuais na dengue, poderiam sugerir o diagnóstico de malária se associados à história de deslocamento para área endêmica.

 

“As três evoluções clínicas que apresentamos aqui ilustram a importância da febre como sinal clínico de emergência médica, em indivíduos provenientes de áreas endêmicas de malária, sobretudo em viajantes provenientes de regiões como o continente africano e a bacia Amazônica”, alertam.

 

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