Marketeiros criticam projeto que reduz papel das agências em campanhas eleitorai - WSCOM

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Paraíba

19/08/2005


Marketeiros criticam projeto que reduz

Os publicitários Carlos Roberto de Oliveira, da Databrain, e Anderson Pires, da Agência Signo, criticaram as propostas aprovadas ontem pela Câmara de Constituição e Justiça do Senado, que modificam as práticas publicitárias para campanhas eleitorais. Eles afirmam que a Publicidade não pode ser responsabilizada pelos escândalos políticos em evidência atualmente.

Anderson Pires afirmou que o problema passa por uma consolidação da política eleitoral, defendendo a reforma política. Para ele, é necessário o fortalecimento das estruturas responsáveis por fazer a política no Brasil. “Temos instituições muito mal representadas, porque você não sabe muito bem o que cada um defende, é preciso deixar claros o verdadeiro papel. Esses mecanismos devem ser regulamentados para se saber sobre o que se vai versar. É preciso rever a lógica, ter estrutura mais clara do que cada um propõe”, disse.

Segundo Anderson, o projeto não pode ser considerado ‘oportunismo’, mas talvez tenha sido a decisão mais fácil, pois um debate mais aprofundado sobre compromisso eleitoral demandaria uma discussão mais aprofundada, que talvez muitos não estejam dispostos a fazer. “Espero que haja espaços para interlocução e debates, pois não entendo a comunicação ou a publicidade como desaguadora de problemas”, alegou.

O projeto diminui para 35 dias o período de veiculação de campanha em rádio e TV, proíbe showmícios e determina a veiculação de pesquisas com pelo menos 15 dias de antecedência ao pleito.

Carlos Roberto de Oliveira tratou a questão como casuísmo. “Dentro desse contexto com Marcos Valério, Duda Mendonça, DNA Propaganda… fala-se tanto em publicidade que elas são tratadas como as empreiteiras das gordas verbas de caixa dois, caixa três, caixa oito. Para dar uma resposta ao Congresso e à sociedade, se fala nessa mini-reforma, com uma punição maior às agências de publicidade”, completou.

Ele defendeu que o candidato que se lança pela primeira vez precisa ter um maior tempo pra expor suas idéias, facilitando o acesso de suas informações para o povo.

“Reduzir o tempo tanto da campanha quanto da mídia não resolve para combater corrupção. Sou de acordo com a proibição de showmícios, porque já participei de diversas campanhas, em que 20 ou 30 mil pessoas saem de casa para ver um cantor da moda, e não um candidato. As imagens são exibidas no guia com uma multidão, quatro ou cinco bandeiras espalhadas, e o candidato aparece no final para acenar à multidão”, explicou.

Ele se disse contra excesso de brindes e doação de cestas básicas. “Uma camiseta dada a um eleitor de classe média, é propaganda. Mas uma camisa pra um favelado é compra de votos. E quem dá a camiseta sabe disso. O mesmo com um boné, aquilo é considerado elemento essencial de vestuário”, argumentou.

Eles não concordam com a proibição de imagem de obras. Segundo os publicitários, os governantes têm que mostrar o que foi feito e a Oposição tem que mostrar as obras que não foram feitas.

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