Mangabeira completa 28 anos neste sábado com comércio pujante e cultura diversif - WSCOM

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Paraíba

23/04/2011


Mangabeira completa 28 anos neste sábado

"Cidade"

Foto: autor desconhecido.

Aqui é o lugar da dicotomia. Encontro a efervescência do comércio, a movimentação noturna. Mas também tenho o sossego interiorano, a conversa na porta, a vizinhança que se conhece toda". É assim, entre a agitação e a calmaria, que a cantora Gláucia Lima desenha o bairro de Mangabeira no qual vive desde 1986. Já o cantor André Cabeção, vocalista do grupo Mobiê, criado no bairro, graceja comparando Mangabeira ao site de buscas Google. "Lá encontramos de tudo", brinca o músico.

Neste sábado, o bairro, que ganhou o nome de Mangabeira por causa de uma fazenda de mangabas na qual foi criado, comemora 28 anos, sendo lembrado como um dos mais populosos de João Pessoa. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 73 mil pessoas vivem em Mangabeira mas, segundo os próprios moradores, a localidade deve abrigar mais de 100 mil habitantes "vindos dos 223 municípios da Paraíba e até de várias partes do Brasil", como destaca Nilda Passoni, que morano local há 12 anos e integra a Sociedade Mãos Estendidas (Some), uma das entidades que incentivam o desenvolvimento social e cultural na localidade. "A Sociedade reúne mulheres, todas do bairro, que desenvolvem atividades culturais. Temos grupos de chanchada, de roda, também desenvolvemos um trabalho contra a violência doméstica", relata Nilda.

Para a cultura, de acordo com o músico André Cabeção, Mangabeira é um celeiro. "O nosso grupo nasceu em Mangabeira em 2002. Todos os seis integrantes eram moradores do bairro e decidimos fazer um som que misturasse o ‘regional’ na letra e o ‘agressivo no som. Assim como o Mobiê , vários outros grupos e artistas viram na agitação do bairro um local fértil", disse o cantor, que, contudo, reclamou da falta de incentivo do Poder Público para a cultura no bairro. Nilda Passione conta que a criação de um centro cultural em Mangabeira é uma das reivindicações mais antigas dos moradores. "Há anos que lutamos por esse lugar, que vai se chamar Centro Cultural Tenente Lucena e deve funcionar no antigo Fantástico Clube. O projeto foi aprovado pela Câmara Municipal, mas até agora não saiu do papel", reclama.

O bairro, que se divide em oito partes, cogitou virar cidade por causa da sua extensão (cerca de 1.079 hectares) e é bastante lembrado por possuir um comércio tão ou mais diversificado e desenvolvido quanto o encontrado no Centro ou na orla, com a diferença de que os comerciantes costumam abrir até durante os domingos e feriados. "Em Mangabeira é um dos poucos lugares onde uma pessoa pode tomar um lanche, dia de semana, às 4h", conta André.

E no comércio local há realmente de tudo: grandes redes de lojas de móveis e eletrodomésticos, roupas, calçados, farmácias, casas lotéricas, supermercados, lanchonetes, além de um mercado livre e de centenas de lojas de serviços. Nilda enfatiza que um dos pontos mais positivos desse desenvolvimento é a absorção da mão de obra local. "Quase todas as pessoas que trabalham aqui também são moradoras. Além do mais, existem centenas de pequenos comércios familiares".

O comerciante Amauri Santos trabalha e vive em Mangabeira I há 10 anos destaca que o comércio só tem se desenvolvido. "As pessoas sabem que temos de tudo aqui. É bom para o morador do bairro que não precisa se deslocar, mas também para o resto da cidade que sabe que estamos sempre funcionando".

Mas o comércio de Mangabeira é só um dos motivos que atraem centenas de pessoas. Edson Cruz, presidente da Federação Paraibana de Associações Comunitárias (Fepac) conta que a localidade tem uma das melhores infraestruturas da cidade, com cerca de 90% das ruas calçadas e saneadas. "Hoje só temos problema com o Cidade Verde", afirmou Edson.

 

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