'Mancha' e incertezas levam Itália a duelo ante confiante Gana - WSCOM

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12/06/2006


'Mancha' e incertezas levam Itália

A Itália tem muitos adversários internos a superar para conseguir bater Gana na sua estréia na Copa da Alemanha. Antes de derrotar a confiante equipe africana, que chega ao seu primeiro Mundial já falando em chegar às semifinais, a seleção tricampeã do mundo desafia o seu histórico negativo nas últimas competições, o escândalo da arbitragem que colocou em xeque a imagem de figuras importantes da equipe e os desfalques que afetaram a base da equipe.

Nesta segunda-feira, às 16h (horário de Brasília), a seleção da Itália vai tentar deixar de fora da AWD Arena, em Hannover, a pressão que tem a atormentado nos últimos meses, quando se tornou público um escândalo de manipulação de arbitragem que acabou respingando no técnico Marcello Lippi e no goleiro Buffon, suspeitos de participação em suposto benefício a Juventus. Os dois foram pressionados pela opinião pública italiana.

Enquanto Lippi teve seu cargo ameaçado, Buffon foi vaiado por torcedores no dia da apresentação da delegação para o início dos treinos preparatórios para a disputa da Copa. As manchas que atingem atualmente a seleção italiana, porém, vão além.

O histórico de fracassos da equipe em primeiras fases da competição e o desempenho na edição de 2002 também se colocam como obstáculos para a Itália, que das 15 vezes que participou da Copa do Mundo foi eliminada precocemente em cinco oportunidades -1950, 1954, 1962, 1966 e 1974. Na Ásia, há quatro anos, a Itália caiu diante da anfitriã Coréia do Sul, nas oitavas-de-final.

Porém, para chegar à próxima fase e evitar que as estatísticas de fracasso precoce sejam aumentadas, a Itália terá de superar, além de Gana, a República Tcheca e os Estados Unidos, seleções que têm adotado o discurso de confiança de que são sérias candidatas a passarem da fase classificatória do torneio.

Confiança, aliás, é o que move Gana em sua primeira participação na Copa do Mundo. “Não temos nada a perder, porque somos muito forte para passarmos da primeira fase”, empolga-se o sérvio Radomir Dujkovic, técnico da seleção africana, que parece não se contentar apenas em se classificar em seu grupo. “Temos potencial suficiente para chegarmos até as semifinais”.

Tratado pela alcunha de ‘papai’ pelos jogadores de Gana, que afirmam trabalhar em total sintonia com o técnico, Dujkovic procura levantar o moral dos jogadores e tratar sua equipe como tão forte quanto suas concorrentes. “Não viemos apenas participar do Mundial, mas somos um legítimo competidor”, diz o sérvio, que admite que “nosso grupo é muito duro, mas todas as equipes vão sofrer muito para ganhar de Gana”.

Os italianos não tentam disfarçar a dificuldade que Gana representa. “Se eles estão aqui significa que eles estão entre os melhores da África”, elogia o atacante Luca Toni, que, no entanto, nega que o medo esteja tomando a equipe às vésperas da estréia. “Não estamos preocupados com nosso adversário tanto quanto o fato de que este é o nosso primeiro jogo e que devemos conseguir um bom início”.

O sucesso na estréia, no entanto, vai depender de que como o técnico Marcello Lippi vai conseguir superar todos os problemas físicos que se espalharam pelo elenco italiano nas últimas semanas. Ameaçados inclusive de corte, o lateral Zambrotta e o volante Gattuso ganharam o aval para seguir no grupo e tentarem vaga na equipe mais adiante, mas ficarão de fora do confronto ante Gana.

Os improvisos na formação da equipe, por sinal, é o que levam os próprios italianos a admitirem que atualmente é mais difícil saber como se comportará a Itália do que adquirir informações precisas sobre o estilo de jogo que Gana deverá imprimir em Hanover.

“Nós conhecemos a escalação de Gana melhor do que a nossa”, afirma Luca Toni, se referindo à grande presença de jogadores da seleção ganense no futebol europeu.

As incertezas da equipe italiana, porém, ganharam um alívio na véspera do jogo, quando o zagueiro Nesta e o atacante Totti tiveram suas escalações confirmadas por Marcello Lippi após rumores de que os dois não estariam plenamente recuperados de problemas físicos para a estréia da Copa.

“Estamos prontos. Os rapazes estão em boa forma”, celebra Lippi, que diz não se surpreender com a volta de Nesta, “como esperávamos”, e afirma que Totti “tem melhorado consideravelmente”. O meia-atacante da Roma, porém, não deve jogar os 90 minutos.

Itália

Buffon; Oddo, Nesta, Cannavaro e Grosso; Perrota, Camoranesi, Pirlo e Totti; Luca Toni e Gilardino.

Técnico: Marcello Lippi

Gana

Adjei; Paintsil, Kuffour, Pappoe e John Mensah; Muntari, Essien, Appiah e Eric Addo; Gyan e Amoah.

Técnico Ratomir Dujkovic

Local: AWD Arena, em Hannover

Capacidade: 39.297

Árbitro: Carlos Eugênio Simon (BRA)

Assistentes: Ednilson Corona (BRA) e Aristeu Tavares (BRA)

Horário: 16h (de Brasília)