Lula usa alta do PIB para minimizar crise - WSCOM

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Economia & Negócios

05/08/2005


Lula usa alta do PIB

Em duas reuniões hoje com a elite dos empresários de vários setores, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai tentar mostrar que a economia brasileira vive agora o seu melhor momento, apesar de toda a turbulência política. Lula quer evitar a todo o custo que a crise contamine a economia.

Nos dois encontros, o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, vão fazer um balanço da economia nos 30 meses de governo. Eles vão apresentar um trabalho mostrando que todos os indicadores são altamente positivos, e é isso que explicaria o fato de a economia não ter sido abalada pela crise política.

Meirelles vai dizer, por exemplo, que a economia no segundo trimestre deste ano reverteu a desaceleração dos primeiros três meses do ano. De acordo com previsões do Banco Central, o PIB cresceu 1,2% no segundo trimestre em relação ao primeiro. Nos primeiros três meses, o PIB tinha crescido apenas 0,3% em relação ao trimestre anterior. A indústria teve um papel importante nessa reversão, após queda de 1% no primeiro trimestre.

Meirelles vai dizer também que o BC aposta num crescimento de 4% do PIB neste ano –o número oficial ainda é de 3,4%, e boa parte dos economistas prevê números abaixo de 3%. Ele crê que são muito grandes as chances de a economia crescer num ritmo bastante forte no segundo semestre.

Lula se reúne com a elite do empresariado do país após um périplo por cidades pobres do Nordeste, onde fez discursos inflamados e depois de dizer, na semana passada, “que não vai ser a elite brasileira que vai me fazer baixar a cabeça”. Para pessoas próximas, o fato de Lula ter recorrido à sua base lhe deu fôlego para tentar virar o jogo. O encontro hoje é o primeiro de uma série de reuniões que ele quer fazer, inclusive com parlamentares, para mostrar que a economia nunca esteve tão bem.

Segundo o ministro Jaques Wagner, coordenador político do governo e responsável pela organização da reunião de hoje, Lula quer conversar com diversos segmentos da sociedade civil para mostrar o quadro atual da economia e dizer que os horizontes são positivos.

De acordo com Wagner, ao promover esses encontros, não há nenhuma intenção do governo em abafar as apurações no Congresso sobre as denúncias de corrupção. “Ninguém segura mais essa investigação, ela já é de domínio público”, afirmou Wagner. “O que for apurado e tiver de ser punido puna-se, e a vida segue.”

De manhã, Lula irá se reunir com os presidentes de confederações, entre eles Armando Monteiro (indústria), Antônio de Oliveira Santos (comércio), Antônio Ernesto de Salvo (agricultura), Gabriel Jorge Ferreira (sistema financeiro) e Jorge Gerdau Johannpeter (ação empresarial). No encontro, a CNI irá apresentar uma agenda mínima com alguns pontos para o Congresso voltar a discutir, independentemente dos trabalhos de investigação da CPI. “O objetivo é blindar a economia de qualquer ameaça de contágio da crise e melhorar as condições de governabilidade”, diz Armando Monteiro, presidente da CNI.

À tarde, o presidente Lula convidou cerca de 25 pesos-pesados do empresariado para apresentar o balanço dos 30 meses do governo. Na lista, constam os nomes de Paulo Skaf (Fiesp), Marcio Cypriano (Febraban e Bradesco), Emílio Odebrecht (Odebrecht), Roger Agnelli (Vale do Rio Doce), Benjamin Steinbruch (CSN), Abilio Diniz (Pão de Açúcar), Fábio Barbosa (ABN Amro) e outros. Jorge Gerdau e Armando Monteiro também foram convidados por Lula para essa reunião.

Lula pretende que o encontro de hoje sirva quase como um divisor de águas da crise. O seu objetivo é de reverter o clima de paralisia que preocupa o empresariado. Para o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, por exemplo, a economia está fraca e existe um grau de imprevisibilidade muito grande sobre a crise política. “Qualquer previsão é leviana”, diz Skaf.

Meirelles vai tentar, hoje, mostrar que não há razões para pessimismo na economia. Além das estimativas de crescimento, ele vai mostrar, ainda, que o Brasil tem hoje a taxa de juros mais baixa dos últimos dez anos, segundo dados do BC. De 94 a 98, a média anual de juro real foi de 22%. De 99 a 2002, de 14%. E, de 2003 a 2005, na faixa de 9%.

Além disso, Meirelles vai mostrar que esse juro, da Selic (taxa básica da economia), afeta apenas 34,5% dos empréstimos no Brasil, que é o chamado crédito livre. Os outros 65,5%, correspondentes à faixa do crédito direcionado, são influenciados por outras taxas, como a TJLP, o IGP-DI e a TR. São os empréstimos dirigidos do BNDES, da Caixa Econômica e de outros órgãos.

Meirelles vai mostrar outros números positivos. O total das reservas internacionais está acima de US$ 50 bilhões, o melhor número da história do país, e os investimentos diretos estrangeiros somam US$ 22,7 bilhões no acumulado dos últimos 12 meses, o melhor resultado desde 2003.

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