Lula pede e Quércia volta à disputa em São Paulo - WSCOM

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Brasil & Mundo

06/06/2006


Lula pede e Quércia volta

Num instante em que o PMDB paulista rumava para uma coligação com o PSDB de José Serra, Orestes Quércia reuniu a Executiva Estadual do partido para informar que voltou a considerar a hipótese de concorrer, ele próprio, ao governo de São Paulo. Em reunião encerrada na noite desta segunda-feira, Quércia se disse “entusiasmado”.

Quércia abandonara a pretensão de disputar o Palácio dos Bandeirantes no rastro da desistência de Itamar Franco (PMDB-MG) de concorrer à presidência da República. Julgara-se desobrigado da tarefa de montar um palanque para Itamar em São Paulo. Voltou a considerar a idéia da candidatura a governador exatamente seis dias depois do encontro que manteve com o presidente Lula, no Palácio do Planalto.

Lula recebeu Quércia ao lado do ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) e do senador Aloizio Mercadante, candidato do PT ao governo paulista. Apoiado por Mercadante, o presidente fez um apelo para que Quércia entrasse na disputa paulista -uma maneira de dividir o eleitorado, na tentativa de evitar que José Serra derrote o PT no primeiro turno da eleição.

No encontro da Executiva peemedebista, Quércia não fez menção ao pedido de Lula. Mas comportou-se como se estivesse disposto a atendê-lo. Insinuou que não tem mais interesse pela refrega por uma cadeira no Congresso –nem à Câmara nem ao Senado. Ou disputa o governo do Estado ou não concorre a coisa nenhuma.

Marcou-se para o próximo dia 24 de junho a convenção estadual em que o PMDB definirá o seu futuro em São Paulo. Quércia disse que, até lá, decide se vai ou não ser candidato ao Palácio dos Bandeirantes. Informou que encomendou uma pesquisa de opinião para ajudar na definição.

Informado a respeito do nov posicionamento de Quércia, José Serra ficou desapontado. Ele esperava fechar nos próximos dias um acordo com o PMDB. Em reunião com o próprio Quércia, Serra se dispusera a ceder a vaga de vice-governador na sua chapa a um peemedebista. Oferecera também a vaga de candidato ao Senado ao próprio Quércia.

Tudo parecia se encaminhar para um acordo do PMDB com o PSDB em torno de Serra. Até que Lula interveio, saindo em socorro do pupilo Aloizio Mercadante. Em São Paulo, o PT tem necessidades eleitorais diametralmente opostas às nacionais.

A Lula, candidato à reeleição, interessa retirar do caminho a candidatura presidencial de Pedro Simon (RS), a última que ainda sobrevive no PMDB. Quanto menor for o número de candidatos, maiores serão as chances de o presidente derrotar o tucano Geraldo Alckmin no primeiro turno.

A Mercadante convém injetar Quércia na disputa paulista. Do contrário, arrisca-se a virar uma espécie de Alckmin de Serra, perdendo a eleição ainda no primeiro turno. De acordo com a última pesquisa Datafolha, divulgada há 12 dias, Serra, com 56% das intenções de voto, está bem à frente de Mercadante, com 17%. Num cenário que incluiu Quércia, com 9%, Serra cai para 52% e Mercadante para 15%. A dianteira do tucano continua sendo enorme. Mas a chance de a eleição escorregar para o segundo turno aumenta.

Ainda nesta semana, emissários de Serra vão procurar Quércia para tentar demovê-lo da idéia de disputar o governo paulista. A convenção estadual do PSDB está marcada para 25 de junho, um dia depois da convenção peemedebista. O tucanato desejava definir a aliança com o peemedebismo bem antes disso. Mas está nas mãos de Quércia, que tem controle absoluto do PMDB paulista.

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