Lula dá puxão de orelha na bancada do NE e garante: ‘Transnordestina chega à Par - WSCOM

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Política

26/07/2007


Lula dá puxão de orelha



‘Quem tiver ódio de mim, deixe para despejar quando eu sair’

Num forte discurso feito para uma platéia seleta de jornalistas, convidados e políticos, o presidente Luis Inácio Lula da Silva (PT) acabou fazendo um desabafo e dando um puxão de orelha na bancada de parlamentares nordestinos pedindo mais união.

Respondendo a uma solicitação direta do governador Cássio Cunha Lima (PSDB), que pediu que a Transnordestina passe pelo Estado, Lula disse que não vinha a ferrovia sem passar pelo Estado.

“Cássio é impossível imaginar que a Transnordestina não vai ter um braço para a Paraíba, para o Rio Grande do Norte, sem dúvida ela vai ter que ter, ou no meu governo ou noutro governo vai ter que ter. É um processo de integração. Ela vai ser quase um outro São Francisco”, disse Lula.

Segundo o presidente, o nordeste precisa acabar com a imagem de que o Nordeste tem que continuar pobre e miserável.

“É por isso eu vejo alguns companheiros do Sul contra… agora mesmo aprovamos a ZPEs. Tem gente que é contra. ‘Não pode ZPEs porque são Zona de Processamento de Exportação’. Como vai desenvolver uma parte do Nordeste. Como é que vai levar desenvolvimento para o Amapá, para o Acre. Quem já está desenvolvido não quer. As vezes eu fico pensando meus companheiros deputados, senadores é que as vezes eles não são maioria, mas eles ganham no Congresso Nacional. E aí eu não sei como é que muitas vezes o Nordeste e o Norte cedem tanto aos desejos de outras regiões mais prósperas. Não é uma questão partidária, é uma questão de minoria e maioria. Como é que vamos pensar em desenvolvimento regional?”, desabafou.

O presidente também pediu para ser convidado para a inauguração da primeira obra quando ficar construída. “Eu fico contente em fazer o primeiro buraco com a pá”, brincou, para logo depois lembrar que o trecho da BR-230 que liga João Pessoa à Campina Grande deve ficar pronta até o final do ano.

Lula também garantiu que nunca na história do Brasil se fez tanto investimento em saneamento básico quanto no seu governo. O presidente também fez um puxão de orelha aos parlamentares que fazem oposição por oposição e não vêem que os projetos do Executivo podem, independente de Lula, beneficiar o povo.

Num outro trecho do discurso falando sobre a auto estima do brasileiro ele brincou: “Esse país é tão chique Dilma, que você viu aqui a cidade chamada Bayeux, parecia que você estava na França e você estava na Paraíba”.

O presidente terminou fazendo um apelo ao governador e aos prefeitos, a necessidade de criar conselhos gestores na cidade e no Estado para fiscalizar a aplicação do dinheiro do PAC e pediu para que até fevereiro esse dinheiro esteja transformado em obras.

Confira abaixo os principais trechos do discurso:

Oposição por oposição
Isso não é muito, é o mínimo que os governantes precisam fazer para tornar o mundo mais igualitário, mais justo, e o que o Estado tem que fazer é apenas levar a oportunidade e aí a classe política vai ter que se tornar mais civilizada. Onde a gente possa compreender o momento de se fazer oposição e o momento de se pensar no país. Porque nos Brasil não termina nunca, se acabou uma eleição ela continua. Ela é eterna. Você pode mandar qualquer projeto, pode ser um projeto para melhorar qualquer coisa.

As pessoas se são contra o governo dizem: ‘eu voto contra’. As pessoas não se preocupam sequer se aquilo vai ou não beneficiar o presidente da república, o prefeito, o governador, e aquilo vai beneficiar o povo da cidade, do estado e do país.

Enquanto a classe dirigente ficar brigando, fica com mesquinharia o povo fica sofrendo, o povo fica na expectativa de que apareça um milagroso para salvá-lo, quando não tem. É preciso ter políticas públicas justas, é preciso fazer parcerias como estamos fazendo. Eu não quero saber se o prefeito é do PFL, do PSDB, do PT, PMDB, PTB, PR, eu não quero saber em quem o eleitor votou na eleição de outubro, se foi em mim ou no adversário. Acabou a eleição e nós fomos eleitos para governar esse país, o Estado e esse município.

Maior investimento da História
Se quisermos pegar os últimos 30 anos, nós vamos perceber que o único momento que tivemos um forte investimento em infra-estrutura foi no governo Geisel, e por conta do investimento feito na época do governo Geisel nós pagamos um preço muito duro depois porque ele foi feito as custas da facilidade do dinheiro externo e depois resultou numa dívida que nós passamos esses 30 anos tentando pagar quase que impossível. Mas foi o último presidente que pensou estrategicamente o desenvolvimento do Brasil, a começar em grandes investimentos em obras de infra-estrutura.

As pessoas que vemos na televisão cometendo crime são filhos desse país, resultado de um período histórico do nosso pais em que as políticas sociais não eram levadas em conta como fator de desenvolvimento do Brasil. A educação não era levada em conta como fator de desenvolvimento.

Fizemos uma mudança conceitual: garantir dinheiro para o pobre comprar leite, para agricultura familiar, para investimento em educação. O programa Luz Para Todos, em alguns estados da União, custa R$ 5 mil a ligação, e ela é feita de graça, porque as pessoas pobres têm direito a conquistar a sua cidadania.

O nordeste não é viável?
Se nós formos pensar apenas no ponto de vista da viabilidade econômica nós não fazemos nada a não ser onde já tem os benefícios. Em cada projeto que vamos discutir primeiro chamamos nossos economistas, nossos consultores, que normalmente nos apresentam aquilo que eu chamo de engana presidente. Aqueles gráficos bonitos, coloridos. E fala: ‘isso aqui não tem viabilidade econômica. Isso aqui não é rentável, isso aqui não vai dar retorno’.

Ora, se não vai dar retorno então não tem investimento no Nordeste, não precisa fazer a BR-101, a transposição de água, não precisa ter programa do Leite, o Luz para todos, não precisa fazer a Transnordestina, porque é tudo teoricamente e economicamente inviável. Porque neste país durante as últimas três décadas se adquiriu o hábito de investir onde já tinha investimento, de elevar qualidade de vida onde já tinha qualidade de vida.

Sequer os fundos constitucionais, que foram criados na Constituição de 88 era utilizado para o desenvolvimento do Nordeste brasileiro. Antes de nós tomarmos posse, e é importante que tenha dois senadores aqui de partidos diferentes (José Maranhão e Cícero Lucena), no ano de 2002, o dinheiro que o BNB disponibilizou para investimento foi apenas R$ 273 milhões. Esse ano vamos liberar quase de R$ 7 bilhões para o Nordeste brasileiro se desenvolver.

O PAC
Quando nós pensamos no PAC, pensamos que era preciso combinar um programa de desenvolvimento deste país que levasse em conta não apenas aqueles que sempre estiveram na frente na corrida pelo desenvolvimento. Era preciso saber como trazer a parte pobre da população a ser beneficiada neste processo. Por isso o PAC.

O PAC é uma combinação de investimentos de uma Petrobrás com investimento de R$ 228 bilhões em quatro anos, mas também com a participação de investimento de R$ 106 bilhões em obras de infra-estrutura e habitação.

Se vocês pegarem a história do Brasil desde que foi proclamada a república nós não vamos ter nenhum período histórico em que se investiu tanto em saneamento básico e habitação como estamos fazendo. Sabe por quê, meus companheiros? E não é nenhum radicalismo, presidente tem que ter sempre bom senso. Sabe por que não se investia em saneamento básico neste país? Porque não se pode botar nome de parente em manilha enterrada embaixo da terra.

O que nós vamos colher com essa política, Cássio e meu caro amigo Ricardo Coutinho, não é a imagem de uma ponte com o nome dos nossos parentes. O que nós vamos colher é a possibilidade de ter menos crianças morrendo pela falta de água potável e saneamento básico.

O Brasil melhorou
Esse país ontem atingiu U$ 154 milhões de dólares de reserva. Esse país quando entrava U$ 10 bilhões de dólares do exterior era manchete de jornais. No dia 1º de janeiro ao dia 30 de junho entrou nesse país U$ 59 bilhões de dólares. Dos quase U$ 12 bilhões para investimento direto, U$ 23 bilhões na bolsa e o resto no sistema financeiro. Hoje a nossa preocupação não é ir atrás de dólares, mas evitar que continue entrando essa enxurrada de dólares. E todo dia as exportações batem recordes e recordes. O Brasil está preparado para dar um salto de qualidade.

A transposição do Rio São Francisco
O projeto São Francisco, eu não quero fazer disso uma profissão de fé, uma guerra. Eu quero apenas que vocês me ajudem a convencer as pessoas que são contra. Certamente as pessoas têm suas razões. Eu fico pensando se cada estado brasileiro resolvesse dizer: ‘aquilo que eu produzo é só meu como ficaria o Brasil’. Se o Rio de Janeiro produz pretróleo, se ele não quisesse vender para nós, como ficaríamos. Graças a Deus a Petrobrás resolveu fazer prospecção teste na cidade de Sousa e quem sabe a gente tenha petróleo aqui, aí a Paraíba pode ceder um pouco para os Estados que não querem ceder água para nós.

O projeto da transposição foi pensando desde 1846, o imperador Dom Pedro II pensou nesse projeto, de lá para cá, vários presidentes da república pensaram neste projeto, mais quando chega as eleições as pessoas se acovardam. E assim nunca acontece o projeto.

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