Lula ameaça criar estatal para o setor aéreo - WSCOM

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Economia & Negócios

18/05/2008


Lula ameaça criar estatal para



O presidente peruano cobrou mais investimentos do Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ameaçou, no sábado, 17, criar uma estatal para o setor aéreo como resposta ao que qualificou como “desastre” da aviação na América do Sul. Em um encontro com empresários em Lima, Lula disse que se reunirá com representantes do setor aéreo brasileiro para uma “conversa séria”.

“Tudo o que eu não quero é que eles sejam tão inoperantes nessa área que comecem a fomentar na minha cabeça a idéia de que o Estado vai ter de criar uma nova empresa. Eu não quero fazer”, disse o presidente.

“A questão da aviação na América do Sul é um desastre”, disse. “Não é possível a dificuldade que temos para voar (do Brasil) para a América do Sul. E para a África, é quase impossível”, argumentou.

Lula disse ao presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, que o acompanhava em Lima, que se reunirá com o setor assim que voltar ao Brasil.

“Temos que chegar ao Brasil e juntar os empresários da aviação e ter uma conversa séria com eles”, disse. “Todos nós falamos de negócios e oportunidades, mas não damos condições de ir e vir para as pessoas (…) precisamos colocar a questão do transporte como uma decisão de governo”.

Cobrança

Em sua primeira visita de Estado ao Peru no governo de Alan García, Lula foi cobrado por seu colega peruano por não investir mais no país.

“O que esperamos do Brasil é muito mais do que temos”, afirmou García.

Alan García disse que o Peru é um mercado “aberto e seguro” para os investimentos e se queixou da lentidão no andamento dos projetos da Petrobras no país.

“A Petrobras caminha lentamente aqui, presidente. Onde estão os investimentos em campos profundos?”, questionou o presidente peruano.

“Queremos que os empresários brasileiros venham ganhar dinheiro aqui (…) parece que não querem ganhar dinheiro, parece que têm muito, coloque mais impostos neles, presidente (Lula)”, brincou García.

Ele insistiu no assunto, cobrando mais atenção do presidente brasileiro e, em pelo menos duas oportunidades, se queixou das estreitas relação do Brasil com governos como o da Argentina e Venezuela.

“Não olha para nós, só para Argentina e Venezuela”, disse.

Em resposta, Lula prometeu investir mais no país e disse que a Petrobras irá responder de forma mais ágil às necessidades do Peru.

De acordo com o presidente, a estatal sofria da “síndrome do medo de ser grande”, ao enfatizar que há uma ordem do governo para que a Petrobras invista mais nos países vizinhos.

Os presidentes firmaram memorandos de entendimento nas áreas de bioenergia, infra-estrutura, petroquímica e agricultura.

Petróleo

O presidente Lula voltou a responsabilizar o petróleo pelo aumento dos preços dos alimentos e disse que os europeus ignoram o tema por considerarem que “o petróleo é a vaca sagrada”.

“Agora dizem que somos responsáveis pelo aumento do preço dos alimentos. Porém, ontem (na 5ª Cúpula de países da América Latina, Caribe e União Européia) não vi nenhum europeu falar sobre o impacto do petróleo. É a vaca sagrada. Passa de 30 a 124 dólares e não há crítica”, afirmou Lula.

“Querem dizer que a culpa é do biodiesel, mas ninguém produz biodiesel, o biodiesel é uma invenção extraordinária que o Brasil já produzia antes da discussão dos biocombustíveis”, argumentou.

Em meio à crise gerada no Ministério do Meio Ambiente após a renúncia da ministra Marina Silva, Lula adotou um discurso desenvolvimentista.

“Na questão ambiental, estou vendo uma preocupação extraordinária com a Amazônia. Todos falam de preservar a Amazônia, mas ninguém quer discutir a qualidade de vida do povo que vive na Amazônia”, disse.

“O mundo desenvolvido fala de muito dinheiro, de créditos de carbono. Entretanto, este dinheiro vem muito lentamente e a sobrevivência de nosso povo exige pressa”, acrescentou.