Lugar de mulher é na Ciência - WSCOM

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Brasil & Mundo

05/09/2018


Lugar de mulher é na Ciência

Foto: autor desconhecido.

Historicamente, a Ciência foi construída como uma área de domínio masculino. E mesmo com a presença de grandes mulheres cientistas que foram responsáveis por romper barreiras nas áreas de exatas e biológicas, esse cenário ainda é caracterizado pelo preconceito de gênero. Pensando em desmitificar esse pensamento e incentivar a inserção feminina na Ciência – especialmente nas áreas STEM (Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática) – a Universidade de São Paulo (USP) irá oferecer um curso gratuito para garotas do ensino fundamental.

Intitulado de “Meninas com Ciência”, o curso surgiu em 2016, no Museu Nacional no Rio de Janeiro, como foco em Geologia e Paleontologia. Mas foi em uma edição na Universidade Federal de São Carlos que a professora Camila Negrão Signori, pesquisadora do Instituto Oceanográfica da USP, teve a oportunidade de ver o brilho nos olhos de várias meninas encantadas com o que estava sendo exposto e com a possibilidade de sonharem com campos até então desconhecido. “Eu, Amanda Bendia; Pós-Doutoranda do IO-USP, e Diana Ribas; mestranda da UFABC, nos motivamos a trazer o curso para a capital paulista. E assim que assumi o cargo de docente do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo, escrevi o projeto para trazer o curso para a USP”, contou Camila.

A docente do Instituto Oceanográfico da USP imaginava que a procura pelo curso seria grande na capital paulista, mas a repercussão tem sido maior do que o esperado. “Nas universidades, temos um equilíbrio entre o números de mulheres e homens na Graduação e Pós-Graduação, porém, esses números mudam com o progresso da carreira, havendo um predomínio de docentes homens em relação às mulheres, assim como em cargos de chefia e reitoria”, contextualiza. Camila também alertou para estudos internacionais que mostram que as mulheres ainda são minoria na Ciência, representando cerca de 30% do total de pesquisadores no mundo e em relação a outros dados, que mostram que as mulheres apresentam menor mobilidade internacional e menor índice de colaboração internacional em publicações científicas.

Segundo Camila, além do curso estar direcionado a inserção das meninas na ciência, a iniciativa também tem o intuito de humanizar a figura da mulher cientista; incentivar a igualdade de gênero e o empoderamento feminino – contribuindo com o objetivo cinco da Organização das Nações Unidas, incentivar o status da mulher na pesquisa – de acordo com a Comissão Global de Pesquisa e encorajar as meninas a seguirem a carreira que sonharem. “Está implícito também, o objetivo da alfabetização cientifica. As meninas precisam compreender desde a infância a importância da Ciência para o desenvolvimento de um país e transmitir essa mensagem para seus amigos e familiares”, assegurou Camila.

Se interessou pelo curso? Saiba como ele vai funcionar

O “Meninas com Ciência – 2º edição SP” tem apoio do IO-USP – Instituto Oceanográfico da USP e também de uma equipe de meninas e mulheres voluntárias que compõem o Comitê Organizador. Camila explicou que elas tentaram diversificar ao máximo as áreas científicas abordadas e estão contando com a colaboração de professoras e especialistas de diferentes institutos da Universidade de São Paulo. Entre eles, o Instituto Oceanográfico, Instituto de Ciências Biomédicas, Instituto de Astronomia, Geociência e Ciências Atmosféricas, Faculdade de Medicina e de outras universidades parceiras, como a Universidade Federal de São Carlos, Universidade Federal do ABC e PUC-Campinas.

O evento será realizado no IO-USP durante cinco sábados, entre das 9h às 17h. Ao todo, serão ofertadas 50 vagas – 25 destinadas a escolas particulares e 25 para escolas públicas. E as meninas terão a oportunidade de assistir palestras e participar de atividades práticas em laboratórios e oficinas. As inscrições estão abertas até o dia 10 de setembro e podem ser feitas pelo site do projeto.

Cada palestrante vai poder escolher um tema da sua área e, usando uma linguagem acessível para as crianças, explicar assuntos complexos do seu cotidiano como cientistas. Entre alguns exemplos da atividades práticas que serão realizadas pelas estudantes, estão: o estudo da evolução ao relacionar os tipos de bico de aves e os diferentes itens alimentares, o estudo das correntes marinhas com uso do ferramenta educacional “Ciência na Esfera” – disponível no IO-USP e único na América do Sul – a extração do DNA de morango fazendo analogias com a extração de DNA de microrganismos, o jogo didático na área de Farmacologia, a visualização de amostras de espécies bioluminescentes do fitoplâncton marinho no microscópio, entre outras.