Lucro da Petrobras no trimestre sobe 25 vezes e atinge R$ 6,6 bilhões - WSCOM

menu

Economia & Negócios

06/11/2018


Lucro da Petrobras no trimestre sobe 25 vezes e atinge R$ 6,6 bilhões

Foto: autor desconhecido.

A Petrobras terminou o terceiro trimestre de 2018 com lucro líquido atribuível aos acionistas de R$ 6,64 bilhões, 25 vezes superior ao lucro de R$ 266 milhões apurado no mesmo intervalo do ano anterior.

O resultado refletiu, entre outros fatores, as maiores margens de derivados no mercado interno, devido ao aumento dos preços das commodities no mercado internacional e ao aumento da demanda de diesel, com ganhos em participação no mercado.

A companhia também seguiu cortando despesas gerais e administrativas, seguindo a disciplina de controle de gastos. A redução do endividamento, por sua vez, possibilitou uma menor despesa com juros.

A receita da estatal somou R$ 98,26 bilhões no trimestre, alta de 37%, ante a receita de R$ 71,82 bilhões do mesmo intervalo de 2017.

O resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado teve aumento de 55% no trimestre, para R$ 29,8 bilhões, ante os R$ 19,2 bilhões obtidos entre julho e setembro do ano passado.

Os resultados vieram em linha com o projetado por analistas, com exceção do lucro, que veio abaixo do previsto, afetado por efeitos não recorrentes.

A média das projeções coletadas pelo Valor com cinco instituições financeiras apontava para um lucro de R$ 10,09 bilhões. A expectativa para receita líquida era de alta de 29%, para R$ 92,5 bilhões. Para o Ebitda, a alta projetada era de 75%, para R$ 33,57 bilhões.

Itens especiais

A estatal registrou perda de R$ 5,73 bilhões no terceiro trimestre do ano referente a “itens especiais”, nome dado pela companhia para efeitos não recorrentes como contingências judiciais e perdas por redução ao valor recuperável de ativos (“impairment”).

No terceiro trimestre do ano passado, os itens especiais tinham somado a perda de R$ 3,02 bilhões.

O novo provisionamento de R$ 1,89 bilhão referente às perdas de crédito esperadas com o setor elétrico se deu pela rejeição, no Senado, de um projeto de lei que viabilizava a venda das distribuidoras da Eletrobras.

O texto também destinava um aporte de R$ 3,5 bilhões na estatal, que garantia uma parcela da dívida das distribuidoras com a Petrobras pela compra de combustíveis para geração de energia. Com a rejeição do PL, a Petrobras aumentou a provisão para perdas.

A variação cambial teve efeito negativo de R$ 386 milhões sobre contingências relevantes em moeda estrangeira.

Além disso, a Petrobras registrou uma baixa contábil de R$ 1,29 bilhão. Parte se deu pelo contrato firmado pela Petrobras America e a americana Murphy para uma parceria para atuar em produção de petróleo e gás natural no Golfo do México.

Por causa dessa operação, a Petrobras testou a recuperabilidade do valor dos ativos em produção no Golfo do México, que resultou no reconhecimento da perda.
Contingências judiciais resultaram em uma despesa de R$ 2,16 bilhões no trimestre, e planos de carreira e remuneração custaram R$ 1,14 bilhão no período.

Alavancagem

O endividamento líquido da companhia chegou a R$ 291,83 bilhões no fim de setembro, alta de 4% ante o endividamento do fim de 2017, de R$ 280,78 bilhões, devido à depreciação do real em relação ao dólar.

O endividamento total ao fim de setembro era de R$ 352,8 bilhões, queda de 2% ante aos R$ 361,48 bilhões do fim de 2017.

Com isso, a alavancagem medida pela relação entre dívida líquida e o Ebitda chegou a 2,96 vezes, ante 3,23 vezes no fim de junho e 3,67 vezes em dezembro de 2017.
A meta da companhia é atingir uma alavancagem inferior a 2,5 vezes até o fim de 2018.

A alavancagem da estatal chegou ao menor nível desde setembro de 2012, quando excluído o efeito do pagamento da indenização para encerrar a ação coletiva movida por investidores nos Estados Unidos. Nesse cenário, o endividamento da estatal chegou a 2,66 vezes, muito próximo da meta de 2,5 vezes para o final deste ano.

Como o indicador utiliza o Ebitda anualizado e o pagamento da ação coletiva foi provisionado no resultado do quarto trimestre do ano passado, esse foi o último resultado que vai incorporar o efeito, reforçando a expectativa da Petrobras de atingir a meta de alavancagem até o fim do ano.

Em dólares, a dívida líquida da estatal atingiu US$ 72,89 bilhões, ante US$ 84,87 bilhões no fim de setembro do ano passado.

O prazo médio de vencimento da dívida ficou em 9,05 anos, ante 8,62 anos em dezembro do ano passado. No mesmo período, a taxa média de financiamento subiu de 6,1% para 6,2%.

Caixa

A geração de caixa operacional da Petrobras somou R$ 21,93 bilhões no terceiro trimestre de 2018, retração de 8,7% na comparação anual.

Ao fim de setembro, a Petrobras tinha R$ 60,93 bilhões em caixa, ante R$ 80,18 bilhões no mesmo intervalo do ano passado.

O fluxo de caixa livre da companhia somou R$ 8,12 bilhões no trimestre, abaixo dos R$ 14,73 bilhões do mesmo intervalo do ano passado. Segundo a estatal, isso aconteceu por causa do pagamento da segunda parcela do acordo para encerrar a ação coletiva nos Estados Unidos, além do aumento dos investimentos realizados no período.

O resultado financeiro líquido da companhia foi negativo em R$ 5,8 bilhões no trimestre, refletindo receitas financeiras da ordem de R$ 2,25 bilhões e despesas de R$ 4,75 bilhões, além do efeito de câmbio, de R$ 3,34 bilhões.

No terceiro trimestre de 2017, o resultado financeiro tinha vindo negativo em R$ 7,4 bilhões.

Investimentos

A petrolífera investiu R$ 13,8 bilhões no terceiro trimestre do ano, alta de 49% na comparação anual.

Desde 2016, a companhia vem apresentando cortes em seu Plano de Negócios e Gestão, para se adequar aos patamares de câmbio e do preço do petróleo. O plano de negócios do período de 2018 a 2022 prevê investimentos de US$ 74,5 bilhões.

Desinvestimentos, por sua vez, somaram apenas R$ 3 milhões no trimestre, tendo em vista a suspensão, por decisões judiciais, dos processos de venda.
No ano, a Petrobras acumula R$ 16,8 bilhões em desinvestimentos.

As vendas de ativos fazem parte do seu programa que visa se desfazer de US$ 21 bilhões em bens até o fim deste ano.

 

Valor Econômico

Notícias relacionadas