Lia de Itamaracá sobe ao palco da Festa das Neves nesta terça-feira - WSCOM

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Entretenimento

30/07/2007


Lia de Itamaracá sobe ao

A Festa das Neves abre a espaço para uma das maiores estrelas da cultura popular nordestina. A cirandeira e compositora pernambucana Lia de Itamaracá sobe ao palco montado na rua General Osório, na terça-feira (31), a partir das 22h30, para embalar o público ao som de muita ciranda, coco e maracatu.

E, como ela mesma diz, “pra se dançar ciranda, juntamos mão com mão, formando uma roda e cantando uma canção”. É assim que essa mulher de 1,80 metros de altura e com os seus 63 anos bem vividos, considerada a mais famosa cirandeira do Nordeste brasileiro, convida o público pessoense a comparecer na noite que ela promete ser mágica, onde todos vão celebrar ao ritmo das canções praieiras os 422 anos da capital mais verde do País.

A carreira

Filha de um agricultor e de uma empregada doméstica, Lia nasceu e cresceu em Recife (PE) ao lado de seus 13 irmãos. Desde a década de 1980, trabalha como merendeira de escola estadual na Ilha de Itamaracá e, nas horas vagas, dedica-se à musica e `à ciranda, além de cantar e compor cocos de roda e maracatus. Nesse mesmo período tem trabalhado como recepcionista da ilha, guiando turistas.

Seu nome artístico surgiu de uma ciranda feita em sua homenagem em 1962, por Teca Calazans, que dizia: ‘Essa ciranda quem me deu foi Lia/Que mora na Ilha de Itamaracá’. Nasceu a partir daí, a Lia de Itamaracá. Lia é uma abreviatura de Maria, muito usada no Nordeste. Com mais de 40 anos de carreira, é vista como uma referência cultural de Pernambuco e do Brasil. Uma das últimas representantes da tradição de cantar cirandas.

Discos

Lia canta e compõe desde a infância e, em 1977, gravou seu primeiro disco, o LP ‘A Rainha da Ciranda’, mas não enveredou pela vida artística e continuou trabalhando como merendeira em uma escola de sua cidade. Na década de 90, foi redescoberta pelo produtor Beto Hees, que a levou para participar do festival ‘Abril Pro Rock’ em 1998, com grande êxito. Com repertório que inclui coco de raiz e loas de maracatu, além, é claro, de cirandas acompanhadas por percussões (ganzá, surdo, tarol, congas) e saxofone, gravou o segundo álbum em 2000, o CD ‘Eu Sou Lia’, lançado inicialmente pela ‘Ciranda Records’ e depois pela ‘Rob Digital’.

O CD acabou sendo distribuído na França por um selo de world music e a voz rascante de Lia chamou a atenção da imprensa internacional, que começou a batizar suas canções de trance music, numa tentativa de explicar o ‘transe’ que o som causava no público. Mesmo obtendo um sucesso tardio, fez turnês internacionais obtendo muitos elogios. O jornal The New York Times a chamou de “diva da música negra”.

Referencial

No Brasil, Lia também conquistou mais espaço. Participou com uma faixa no CD ‘Rádio Samba’, do grupo ‘Nação Zumbi’; teve seu nome citado em versos dos compositores pernambucanos Lenine e Otto, e críticos de música a comparam a Clementina de Jesus. As cirandas pernambucanas de Lia são cantadas por muitos. Referencial da cultura pernambucana, Lia de Itamaracá hoje é uma das lendas vivas do Estado e continua morando na ilha de Itamaracá, lugar onde ela desde os 12 anos começou a participar de rodas de ciranda, sendo a única de 22 filhos a se dedicar à música. Segundo ela, trata-se de um dom de Deus e uma graça de Iemanjá.

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