LEIA: Blog de Walter Santos analisa show apoteótico de Vandré e seus novos símbolos - WSCOM

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Paraíba

23/03/2018


LEIA: Blog de Walter Santos analisa show apoteótico de Vandré e seus novos símbolos

Teatro José Siqueira veio abaixo quando Vandré interpretou "Pra não dizer que não falei de flores"

Foto: autor desconhecido.

Em novo texto, o jornalista Walter Santos analisa em seu Blog, a volta de Geraldo Vandré 50 anos depois de sua estreia nos palcos.

“Sua performance no show, mesmo muito qualificada, em tese destoou da alta expectativa do público ávido por ouvir todo repertório do Mito, muitas das canções que levaram a Juventude às ruas”.

Leia a análise na íntegra:

Vandré: o Mito sobrevive na solidão forte do Hino, diante da pianista talentosa com ele prestando Continência

João Pessoa, cidade natal de Geraldo Vandré, se fez abrigo apoteótico na quinta-feira, 22, dia Mundial da Água, de show / reencontro histórico do distante Mito da Resistência à Ditadura Geraldo Vandré com o público em pleno palco paraibano. Hoje, na atualidade, com ele cultuando símbolos bem distantes da ideologia da Canção / Hino “Pra Não Dizer Que Não Falei de Flores”.

O Teatro Maestro José Siqueira totalmente tomado de fãs, muitos saudosistas e das novas gerações, veio abaixo, com Vandré interpretando com Vozeirão à lá Cauby Peixoto a Canção imortal fazendo o público ir ao delírio. Mas ficou nisso, mesmo com o atual perfil do Ídolo fazendo no show continência por três vezes à Marinha.

Tudo sob o luxo musical da Orquestra Sinfônica do Estado sob a regerência do Maestro Luiz Carlos Duriê.

SIMBOLO E HISTÓRIA

Sem dúvidas, foi uma noite apoteótica, embora do grande saldo mítico de Vandré do passado só resistira mesmo a decisão dele interpretar a Canção Hino pela primeira vez, 50 anos depois. Foi deslumbrante.

Detalhe: com ele incorporando sua já antiga reverência à Marinha brasileira – o outro lado e contra-ponto do Mito e sua farda branca, ou seja, o avesso do avesso do que cultuaram tantas gerações em busca de Utopias.

O ESPETÁCULO E A PIANISTA

Geraldo Vandré encantou no começo do Show com a interpretação das canções pós 64 expondo interpretação comovente, tendo no seu reencontro ocupado um novo perfil diante do poema retrato no qual ele próprio revelara a conduta do Soldado dialogando consigo na história vivendo de morte matada.

Surpreendeu a performance da pianista e intérprete Beatriz Malnic, ultimamente muito presente na vida de Vandré. Eles têm composições desde 1985 e ela é uma brasileira talentosa vivendo nos Estados Unidos há mais de 20 anos se afirmando por seu vinculo com o jazz e a MPB.

Sua performance no show, mesmo muito qualificada, em tese destoou da alta expectativa do público ávido por ouvir todo repertório do Mito, muitas das canções que levaram a Juventude às ruas.

Tudo faz parte da pauta escolhida por Vandré passando longe desse legado porque lhe interessa mais a nova fase mutante, distante do passado, como se fora a expressão pura da “Metamorfose Ambulante”, de Raul Seixas.

ALÉM DO PASSADO

Vandré se mantém mítico no que escolheu de diálogo poético com o caldo cultural latino pelos ambientes elevados dos Andes, onde muitos povos e lutas pela liberdade já lhe encantaram.

Por isso, a primeira parte do espetáculo teve esse novo pontuar do gênio vivo prestando continência à Marinha tanto que fez o Côro Universitário cantar “Fabiana”, seu louvor à Arma do seu vinculo ideológico. É como se a Marinha no imaginario possivel fosse a referência distante da brutalidade do Exército dos anos 60/70 demolidor, dai a forma atenuante do seu culto.
Em sendo assim toda a apologia das gerações do passado no nível pretendido do Mito já é uma peça de museu, distante, como imensa de saldo histórico, mas de nenhuma valia reafirmada no presente.

O MITO

Em sintese: respeitemos o Legado de Vandré , respeitemos sua historia de antes e de hoje, mas saibam todos quanto queiram que nunca mais vamos tê-lo reproduzindo ou próximo da Utopia ideológica dos anos 60 porque ele fez há tempo uma escolha solitária e de caso pensado pelo balanço de uma outra onda, de nova ordem ideológica Fabiana.

Seu repertório e postura relevantes com viés do passado são coisas do passado e assim precisam ser cultuadas e só.

Não exijam mais do que tal realidade.