Jovens que teriam sido agredidos por PMs desaparecem em Pernambuco - WSCOM

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Policial

04/03/2006


Jovens que teriam sido agredidos

Os quatro adolescentes que prestaram depoimento na Corregedoria de Polícia de Pernambuco na quinta-feira (2) acusando policiais militares de espancamento estavam desaparecidos ontem (3).

Eles integravam o grupo de 14 jovens que teria sido levado por carros da Rádio Patrulha e do Serviço de Emergência, na segunda-feira de Carnaval, em Recife, e jogados no rio Capibaribe, após serem surrados a golpes de cassetete. Dois deles morreram afogados.

Os quatro jovens foram os primeiros a prestar depoimento, após os corpos de Diogo Ferreira e Zinael Silva terem sido localizados, na quinta, pelo Corpo de Bombeiros nas margens do rio –a mais de cinco quilômetros do local apontado como palco da violência, a favela do Coque.

Ontem, um grupo da Diretoria da Criança e do Adolescentes de Pernambuco passou o dia procurando os adolescentes para que fossem submetidos a exames no Instituto de Medicina Legal. Vários deles apresentavam hematomas e cortes pelo corpo, supostamente devido aos golpes aplicados pelos policiais com cassetetes de madeira.

“Ainda é cedo para avaliar o que ocorreu. Acreditamos que as famílias podem estar escondendo os garotos com medo de represálias”, disse o corregedor-geral da Secretaria Estadual de Defesa Social, José Luiz Oliveira.

O corregedor admitiu que familiares dos outros oito sobreviventes da violência também estão com medo. “Eles dizem que não querem entrar no programa de proteção à testemunha. Pretendem mudar de Estado.”

Treze policiais acusados pela violência foram afastados. Eles teriam identificado o grupo como responsável por arrastões durante o Carnaval. Nenhum dos adolescentes tinha passagem pela polícia. Todos estavam matriculados em escolas da rede pública e alguns trabalhavam.

Apesar de condenar a ação dos policiais no episódio que resultou na morte dos dois adolescentes, o comandante-geral da Polícia Militar de Pernambuco, coronel Cláudio José da Silva, afirmou que se tratou de um fato isolado.

“Depois de um evento das dimensões do Carnaval pernambucano, eu diria até que a avaliação do trabalho da Polícia Militar é muito positiva. O que aconteceu foi um episódio pontual, que será devidamente investigado e, se comprovado, punido exemplarmente.”

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