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Entretenimento

22/08/2005


Jovem guarda comemora 40 anos

Era só um programa de televisão, mas mudou a vida de uma geração que ainda não pensava em revolução, só em diversão. O programa Jovem Guarda, cuja estréia na TV Record completa 40 anos amanhã, era simples: dois jovens cantores e compositores, Roberto e Erasmo Carlos, e uma cantora adolescente, Wanderléa, recebiam outros artistas nas tardes de domingo para fazer música e apresentar as novidades.

Virou sucesso nacional, porque a juventude brasileira descobriu que tinha voz, encontrou seus iguais e achou que o mundo era deles. Hoje são todos sessentões e não perdem a chance de relembrar aquele paraíso perdido. Por isso, as comemorações dos 40 anos da jovem guarda vão até setembro.

Começa amanhã, com a exibição do Repórter Record Especial, com os poucos minutos que sobraram do programa original e entrevistas com Erasmo, Wanderléa e os satélites que gravitavam em torno: Jerry Adriani, Wanderley Cardoso, Leno e Lilian, os Vips, Eduardo Araújo e Silvinha, o casal 20 da história. Roberto Carlos, como sempre, não fala. Até porque é artista exclusivo da Rede Globo. Na sexta e sábado que vem, Os Fevers, os Golden Boys, Wanderléa e Erasmo Carlos gravam, no Tom Brasil, o DVD 40 Anos de Rock Brasil – Jovem Guarda. O show vem de uma carreira vitoriosa no Rio e outras cidades, lota com um público grisalho que vem matar saudade de quando era jovem, cabeludo e sarado.

“É como o encontro de turmas de faculdade, a cada dez ou cinco anos, para lembrar os bons tempos”, filosofa Erasmo, um dos poucos, ao lado de Roberto Carlos, cuja carreira sobreviveu ao fim do programa. O Tremendão, como era chamado, foge do saudosismo. “Gostei daquela época porque a minha juventude foi muito boa, mas não quero voltar nem reviver nada. Até porque minha vida não parou. Componho muito até hoje. Menos um pouco com o Roberto, mas muito com outros parceiros como Roberto Frejat, Marcelo Camelo e Marcos Valle. Mas, neste show, canto Vem Quente Que Eu Estou Fervendo, Festa de Arromba e Sentado à Beira do Caminho.”

Wanderléa também não tem saudosismo. “Só queríamos nos divertir e fazer música e todo mundo era convidado. Só depois começaram a falar de um movimento da Jovem Guarda”, conta a Ternurinha, outro apelido da época. Segundo ela, não adianta tentar sair do repertório padrão. “Tento cantar algum lado B, mas o público quer mesmo ouvir é Pare o Casamento, Exército do Surf, essas músicas.” Por isso o show do Tom Brasil repete o esquema do programa. Começa com os Fevers, grupo que não tinha o carisma de um Renato & Seus Blue Caps (que fazia sucesso com versões das músicas dos Beatles), mas era o acompanhante oficial da Jovem Guarda, num tempo em que os cantores não tinham banda fixa. Eles nunca pararam, dos bailes daquela época passaram a shows. “A diferença é que no primeiro a gente tocava de tudo e, no segundo, só o nosso repertório”, lembra Luiz Cláudio. “A gente começa, chama os Golden Boys, que ficam no palco fazendo backing vocal para a Wanderléa e, no fim, Erasmo Carlos canta seus sucessos. Terminamos todos juntos cantando Quero Que Vá Tudo pro Inferno e É Preciso Saber Viver.”

Nos fins de semana de setembro, o Centro Cultural Banco do Brasil terá também sua porção Jovem Guarda. Jerry Adriani e Waldirene (lembram?) começam, passam a bola para Wanderléa e Erasmo Carlos, que dão lugar a Martinha e Wanderley Cardoso. Os Golden Boys e Vanusa fecham a tampa.

Com exceção de Erasmo, que emplacou inúmeros sucessos depois de 1969, quando o programa Jovem Guarda saiu do ar (é de sua safra recente, Lero Lero, abertura da novela A Lua me Disse, na Globo), os outros – uns mais, outros menos – vivem do saudosismo. Uma saudade que atravessa gerações e chega às que nem eram projeto naquelas tardes de domingo. “Vêm pais, com os filhos e até netos”, comenta Erasmo. Um público que quer reviver o romantismo de quatro décadas atrás, com pitadas de ironia. “Outro dia, eu falava no palco que aquelas músicas embalaram paqueras, namoros e casamentos, quando uma moça na platéia falou: e separações também (risos)… Fiquei meio sem graça, mas dei razão. Afinal, houve até boas separações”, conclui Erasmo.

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