Israel retira mais de 60% dos colonos dos judeus de Gaza - WSCOM

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Internacional

17/08/2005


Israel retira mais de 60%

Autoridades israelenses afirmaram, no final da tarde desta quarta-feira, que mais de 60% dos 8.500 colonos israelenses já deixaram ou foram retirados dos 21 assentamentos de Gaza a serem esvaziados pelo plano de retirada.

De acordo com Israel, a ação está acontecendo mais rápido que o esperado e deve terminar em 2 dias.

Já são nove os assentamentos desocupados desde o início da retirada, na segunda-feira (15). Na faixa de Gaza, Bedolach (220 pessoas), Dugit (70 pessoas), Nissanit (1.200 pessoas), Peat Sadeh (110 pessoas), Tal Katifa (cem pessoas), Kerem Atzmona (500 pessoas) e Morag (37 famílias) foram deixadas pelos colonos. Ganim (40 famílias) e Kadim (40 famílias), na Cisjordânia, também já estão desocupadas.

Até a próxima semana, as Forças Armadas planejam desocupar todas as colônias, e iniciar o processo de demolição.

“Se o ritmo continuar assim, outros três ou quatro assentamentos deverão ser esvaziados ainda hoje”, disse o major-general israelense Yisrael Ziv, que trabalha na operação de retirada.

Os colonos tiveram 48 horas para deixar suas casas voluntariamente. Na manhã desta quarta-feira, o Exército deu início a retirada à força.

Soldados retiraram colonos que gritavam ou choravam de casas e sinagogas, colocando em prática o plano de retirada elaborado pelo premiê israelense Ariel Sharon, após 38 anos de ocupação dos territórios palestinos.

Mais de 50 mil soldados e policiais foram mobilizados para a ação.

Cisjordânia

Na Cisjordânia, um colono judeu matou três palestinos e feriu outros dois após se apossar da arma de um policial israelense e abrir fogo contra um grupo de palestinos, na área industrial do assentamento de Shiloh.

Asher Weisgan, 38, motorista de Shvut Rahel, na Cisjordânia, transportava trabalhadores palestinos todos os dias para a área industrial.

Na tarde desta quarta-feira, ele buscou os trabalhadores para levá-los para casa e parou no caminho, supostamente para pedir um copo de água a um agente de segurança.

Ele então se apossou da arma do guarda e matou dois palestinos que estavam dentro de seu veículo. Em seguida, correu em direção à área industrial, onde matou um terceiro trabalhador e feriu outros dois.

Segundo a rede de TV Channel 1, Weisgan teria dito que realizou o ataque para tentar impedir o prosseguimento da retirada. Ele foi preso pelas forças de segurança e levado para a delegacia de Binyamin.

Um dos palestinos feridos está em estado grave e o outro sofreu ferimentos moderados. Ambos foram levados para o Hospital da Universidade Hadassah, em Ein Kerem, Jerusalém.

No início de agosto, um soldado desertor do Exército israelense abriu fogo dentro de um ônibus na cidade de Shfaram (norte de Israel), matando quatro árabes-israelenses.

O terrorista, Eden Natan Zada, foi linchado em seguida por uma multidão que cercou o ônibus.

Fogo

Na cidade de Netivot, na região de Negev (sul de Israel), uma mulher ateou fogo em seu próprio corpo durante uma manifestação anti-retirada. Ela teve 60% do seu corpo queimado e foi levada imediatamente a um hospital.

Nesta quarta-feira, a polícia disse ter prendido 498 manifestantes anti-retirada nas últimas 24 horas. Ao menos 451 deles já foram soltos, de acordo com o jornal israelense ‘Haaretz’.

O primeiro-ministro Ariel Sharon pediu aos colonos nesta quarta-feira para que não ataquem os soldados e a polícia que participam da retirada.

“Eu quero apelar a todos, não ataquem a polícia, as mulheres e os homens do Exército e a polícia. Não os culpem. Não façam com que isso [a retirada] se torne ainda mais difícil para eles. Não os machuquem. Machuquem a mim”, disse Sharon.

Sharon deu uma breve entrevista após um encontro com o presidente Moshe Katsav, em que afirmou ‘ser o responsável’ pelo plano de retirada. Ao pedir para que o machucassem, ao invés de soldados e policiais, Katsav o interrompeu e afirmou: “Ele [Sharon] quis dizer ‘me critiquem’ e não ‘me machuquem'”.

Nas últimas semanas, os serviços de inteligência israelenses teriam avisado Sharon sobre a possibilidade de sofrer um ataque ou tentativa de assassinato por extremistas judeus.

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