Israel anuncia retirada total de 2 assentamentos da Cisjordânia - WSCOM

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Internacional

15/08/2005


Israel anuncia retirada total de

O Exército de Israel anunciou nesta segunda-feira a retirada completa de dois assentamentos judaicos na Cisjordânia: Ganim e Kadim. Os dois estavam entre os 25 a serem esvaziados, de acordo com o plano elaborado pelo premiê israelense, Ariel Sharon.

Moradores dos dois assentamentos –ao norte da Cisjordânia– deixaram suas casas aos poucos durante as últimas semanas. Nesta segunda-feira, as últimas famílias se mudaram.

Em um discurso que coincidiu com o início da retirada, exibido pela televisão, o premiê israelense,

Ariel Sharon, afirmou que ataques militantes após a retirada serão respondidos duramente.

“O mundo espera pela resposta palestina –uma mão estendida ou o fogo do terror. A uma mão estendida, responderemos com a solidariedade, mas, se houver fogo, responderemos com o mais duro fogo já visto”, afirmou.

Soldados israelenses entregaram ordens de retirada a nove famílias que ainda permaneciam nas dusa colônias em Ganim e Kadim, e todas concordaram em deixar os assentamentos pacificamente. Antes da saída, os moradores de Kadim realizaram uma cerimônia, pedindo para voltar ao local.

Forças de segurança israelenses se posicionaram nos dois assentamentos, que não serão demolidos até a votação do governo, na próxima semana.

Nos outros dois assentamentos da Cisjordânia a serem esvaziados– Homesh e Sanur–bastiões da resistência à retirada, forças de segurança se retiraram nesta segunda-feira, depois que moradores se recusaram a receber as ordens de retirada.

Nas próximas três semanas, o governo de Israel planeja remover todas as 21 colônias da faixa de Gaza e quatro da Cisjordânia. A retirada marca a primeira vez que Israel retira assentamentos de áreas que foram capturadas com a Guerra dos Seis Dias, ocorrida em 1967, e que fazem parte da demanda palestina para a criação de seu futuro Estado.

Enquanto Sharon diz que a retirada vai melhorar a segurança em Israel, vários ativistas e moradores se opõem ao plano.

Gaza

No norte da faixa de Gaza, a distribuição das ordens de retirada terminou no final da tarde dessa segunda-feira no assentamento de Elei Sinai. Segundo o Exército, a maioria dos colonos concordou em deixar suas casas pacificamente até a meia-noite desta terça-feira — quando deve ter início a retirada à força.

Um total de 56 das 59 famílias em Elei Sinai concordou em se retirar. No assentamento vizinho de Nissanit, no entanto, apenas nove das 40 famílias de colonos concordou em sair pacificamente. Apenas uma família permanece no assentamento de Dugit, também ao norte, onde outras seis famílias já se retiraram.

Moradores de Nissanit começaram nesta segunda-feira a retirar os objetos da sinagoga local e realizaram uma cerimônia junto com soldados israelenses que moram no assentamento.

No bloco de assentamentos de Gush Katif, que concentra grande número de oponentes à retirada, diversas famílias de Kerem Atzmona e Peat Sadeh pediram ajuda aos soldados para transportar seus pertences.

Retirada

A Lei de Retirada entrou em vigor à meia-noite desta segunda-feira, com o Exército israelense selando a região da faixa de Gaza e barrando a entrada de todos os israelenses na área dos assentamentos a serem esvaziados.

O Exército e a polícia começou efetivamente o plano de retirada nas primeiras horas desta segunda-feira, quando grupos de soldados entraram nos assentamentos de Gaza e entregaram ordens de retirada.

Apesar da resistência inicial, policiais conseguiram entrar em Neve Dekalim, conhecido com “capital de Gush Katif”, na manhã desta segunda-feira, e começaram a negociar a distribuição de ordens de retirada para os colonos.

A polícia também negociou a entrega das ordens em outros assentamentos de Gaza, entre eles, Gadid, Ganei Tal, Netzer Hazani, Bedolach, Gan Or e Kerem Atzmona.

Em Morag, moradores permitiram a distribuição das notificações após um confronto verbal entre soldados e colonos.

Protestos

Na manhã desta segunda-feira, cerca de 400 oponentes à retirada bloquearam a principal estrada que leva a Gush Katif, impedindo que um comboio do Exército chegasse ao local.

Os manifestantes ameaçaram manter a estrada bloqueada até que Sharon concordasse em cancelar seu plano de retirada de Gaza.

Logo após o Exército fechar o cruzamento de Kissufim para marcar o início da retirada, um grupo de jovens saiu do assentamento de Kfar Darom e foi até o cruzamento para protestar contra a ação.

Ao mesmo tempo, centenas de jovens de Gush Katif –entre moradores e oponentes que se infiltraram em Gaza– bloquearam a entrada do assentamento de Neve Dekalim para impedir a entrada de soldados.

Os manifestantes furaram os pneus de jipes do Exército que se dirigiam para Neve Dekalim e cercaram um jipe militar que levava quatro soldados. O jipe deixou o local horas depois, quando a multidão foi dispersada.

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