Irlandeses pedem mais barreiras da UE à carne do Brasil - WSCOM

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Economia & Negócios

06/08/2005


Irlandeses pedem mais barreiras da

Pecuaristas irlandeses estão pressionado seu governo e a União Européia para impor limites às importações de carne bovina do Brasil e outros países sul-americanos, mesmo quando a tarifa cheia de importação for paga. O Brasil é o principal exportador de carne bovina para o mercado irlandês.

O presidente da Associação Irlandesa de Criadores de Gado e Caprinos, Malcolm Thompson, numa ontem reunião com a ministra da Agricultura da República da Irlanda, Mary Coughlan, solicitou a imposição de mais barreiras contra as exportações de carne bovina latino-americanas.

“A ministra não terá dúvidas de que o volume de importações de ccrne bovina da América do Sul entrando os mercado da Irlanda e da União Européia pagando impostos cheios não pode ser ilimitado e que isso terá que ser debatido nas negociações da Organização Mundial de Comércio”, disse Thompson antes da reunião.

“Os pecuaristas irlandeses e europeus precisam saber qual a quantidade de carne sul-americana que entra nos nossos mercados para poder planejar sua produção e evitar o tipo de colapso nos preços que temos visto nas últimas semanas.”

Segundo o jornal Irish Times, as importações irlandesas de carne bovina cresceram 60% no ano passado, totalizando quase 30 mil toneladas, ou um terço de todo o consumo interno do país. Mais de 8 mil toneladas de carne bovina foram importadas diretamente do Brasil em 2004.

Thompson propõe a criação de um novo sistema de quotas de importação de carne bovina para a EU, similar ao imposto as importações de caprinos da Nova Zelândia. Mas ele defende que a quota para a carne bovina deveria ser dividida trimestralmente para evitar importações excessivas em certos períodos do ano.

No início desta semana, a ministra Coughlan havia se reunido com lideres do setor pecuarista irlandeses para discutir o tema. Ele disse que as tarifas não representam mais um mecanismo eficiente para controlar as importações e proteger o mercado europeu. A carne bovina brasileira fica mais barata do que a irlandesa mesmo após pagar uma taxa de 3,034 euros por tonelada mais um imposto de 12,8%.

Desconforto

As exportações de carne bovina brasileira estão gerando um crescente desconforto entre os pecuaristas europeus. No início desta semana, produtores rurais da República da Irlanda sugeriram que a União Européia limite ainda mais as suas quotas de importação da carne brasileira e de outros países sul-americanos.

Agora, foi a vez dos pecuaristas da Irlanda do Norte acusarem as principais redes de supermercados britânicas de traição por substituir a produção local de carne bovina pelas importações do Brasil.

O presidente da União de Fazendeiros de Uslter, Campbell Tweed, afirmou que a sobrevivência dos associados de sua entidade está sendo ameaçada pelos supermercados que, segundo ele, exigiram a produção de carne de qualidade nos anos 90 mas agora estão optando pelo produto brasileiro. Segundo ele, a carne bovina brasileira não é produzida de acordo com os mesmos padrões de qualidade exigidos na Irlanda do Norte.

“Os pecuaristas da Irlanda do Norte passaram sete anos cumprindo com as regras de elevada qualidade na produção de carne bovina com um considerável custo e esforço”, disse Tweed ao jornal Belfast Telegraph. “Nós temos agora um produto de classe internacional, que temos orgulho de fornecer aos consumidores britânicos. Mas é tão doloroso para os fazendeiros verem agora sua produção ser substituída por importações baratas do Brasil.”

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