Iphan confirma Areia como Patrimônio Nacional; Diretora diz que fato é orgulho p - WSCOM

menu

Paraíba

12/08/2005


Iphan confirma Areia como Patrimônio

A diretora executiva do Iphaep (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba) disse ao WSCOM Online, que o tombamento da cidade de Areia como Patrimônio Histórico Nacional é motivo de orgulho para a Paraíba e para o Brasil. A escolha foi anunciada ontem no Rio de Janeiro pela Superintendência o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).

Segundo Regina, o Iphaep já vinha trabalhando em conjunto com o Iphan intensivamente para a manutenção da riqueza histórica e cultural impetrada nos casarões, casarinhos, igrejas e outras raridades da cidade histórica.

De acordo com a diretora do Iphaep, antes do tombamento os proprietários dos imóveis que quisessem realizar qualquer tipo de reforma nos prédios históricos teriam que obter uma autorização do Conselho de Proteção de Bens Históricos e Culturais, a aprtir de agora essa responsabilidade fica a cargo do Iphan. O Iphan foi procurado pela repotagem ,mas não foi encontrado para comentar o assunto.

Confira alguns dos monumentos mais importantes da cidade de Areia, agora todos tombados pelo Patrimônio Histórico.Teatro Minerva

Recreio Dramático foi o primeiro nome dado ao Teatro Minerva, quando inaugurado em 1859, tornando-se a primeira casa de espetáculos da Paraíba. A idéia de sua construção partiu de um grupo de idealista intelectuais de boa conceituação no cenário sócio-cultural da Segunda metade do século XIX.

O teatro foi construído no estilo barroco. Após alguns anos passou por reformas, mas sempre buscando preservar a sua originalidade. Hoje o teatro mantém as suas características arquitetônicas, como os seus 53 acentos, o palco e todo o seu interior.

No palco do Minerva já se apresentaram Ana Botafogo, Marcelo Antunes e outros astros do teatro e da televisão. Além de encantar as pessoas por suas formas arquitetônicas, o teatro também esconde muitos segredos, como um fundo falso, onde durante as apresentações uma pessoa entrava e mostrava o que os personagens iam falar, já que eles achavam que não dava para decorar todo o texto, isso na época da sua inauguração.Museu da Rapadura

Casa-Grande, parte do Museu da Rapadura que faz parte da Universidade Federal da Paraíba, no Centro de Ciências Agrárias – CCA-, Campi III

Histórico

Em 1842, Francisco Coelho de Albuquerque adquiriu de Joaquim Chapeleiro a propriedade da Várzea, hoje pertence a Universidade Federal da Paraíba, campus III, onde funciona o Centro de Ciências Agrárias. Na época, era apenas um pequeno engenho rústico, coberto de palha, situado ao lado da casa-grande.

O engenho foi construído em 1870 e administrado durante vários anos pelos irmãos João Carlos de Almeida e Augusto Clementino de Almeida, casados com Teodolina de Albuquerque de Almeida e Arcanja Quitéria, respectivamente. Hoje O engenho abriga uma parte do acervo do Museu da Rapadura, conservando peças originais como um alambique de barro, que fazia cachaça apenas para os donos do engenho.Sendo construída em uma parte mais elevada que o engenho, a casa-grande, a princípio, era apenas uma, depois foi construída mais uma ao lado, seguindo os mesmos traços arquitetônicos da fachada. No início deste século foi feita a terceira casa, completando o seu formato atual.

Em 1822, a propriedade foi vendida a João Paulo de Miranda Henrique. Sendo desapropriada em 1933, pelo governo estadual para a instalação da Escola de Agronomia do Nordeste. Os dois edifícios, casa-grande e engenho sofreram algumas modificações, devido o seu uso pela Escola de Agronomia. Em 1978, os dois prédios foram totalmente restaurados para a instalação do Museu da Rapadura. Obra que só foi possível graças ao testemunho de algumas pessoas que viveram àquela época, resgatando traços e características de um tempo cunhado nas lutas e sagacidade de um povoJosé Américo de Almeida

José Américo de Almeida nasceu no dia 1º de outubro de 1887, no engenho Olho D’Água, na cidade de Areia, localizada no Brejo paraibano. Filho de Ignácio Augusto de Almeida e de dona Josepha Leopoldina de Almeida, casou-se com dona Anna Alice de Mello, com quem teve três filhos, dos quais apenas Reynaldo Melo de Almeida está vivo. Ele é general da reserva do exército e morra no Rio de Janeiro.

Em 2002, o poeta-escritor-político José Américo completaria 115 anos de vida. Faleceu no dia 10 de março de 1980, aos 90 anos, na capital paraibana, em sua casa, no Cabo Branco -João Pessoa -, hoje funciona a Fundação Casa de José Américo, composta de um museu, arquivo, biblioteca, setor de pesquisas, setor de promoções culturais e setor de publicações.

Considerado um dos maiores nomes da história política e cultural da Paraíba, José Américo iniciou os seus estudos no engenho onde nasceu, orientado pela sua professora, dona Verônica dos Santos Leal. Aos 11 anos foi estudar na cidade de Areia, em virtude da morte do seu pai. Logo em seguida muda-se para a capital, onde estudou no Seminário da Paraíba e no Liceu paraibano.

Em 1904, matricula-se na Faculdade de Direito do Recife/PE. Chegando a publicar em sua cidade natal o jornal (Correio da Serra, 1907), junto com os amigos Simão Patrício e Eduardo Medeiros. O gosto pela leitura e o desejo de retratar o que passava e que via em sua volta, foram os ingredientes para que José Américo começasse a escrever os fatos políticos, sócias e geográficos da Paraíba e do Nordeste, o que lhe traria o título de um dos maiores brasileiros do século XX.

Contos e sonetos de sua autoria logo foram publicados no jornal oficial A União e, em 1922, publicou o seu primeiro livro Reflexões de um cabra, tratando de forma sarcástica a vida dos nordestinos emigrantes. Bacharel em Direito, começou a carreira como homem público em 1909, quando foi nomeado promotor público da Comarca de Sousa, no alto-sertão paraibano.

Após dois anos assume a procuradoria geral do Estado, até 1922. Mas foi a partir de 1928 que José Américo deu início a sua glória como escritor, com o lançamento do romance A Bagaceira. Com traduções para o Inglês, espanhol, francês e esperanto, o livro teve mais de trinta edições.

O homem público

José Américo de Almeida, fez-se tornar-se uma figura essencial no cenário político brasileiro. Admirado, quando durante a Revolução de 30 assumiu o cargo de Secretário do Interior e Justiça, tendo de enfrentar os conflitos políticos na região de Princesa Isabel.

Com a vitória da revolução, ao lado de João Pessoa, assumiu cargos de confiança no governo. No mesmo ano, recebeu o convite do Presidente Getúlio Vargas para assumir o cargo de Ministro da Viação e Obras Públicas, cargo que envaideceu toda à Paraíba. Porém, a vida do homem público teve o seu momento de turbulência, quando em 1958 candidatou-se ao senado, e perdeu a eleição, fato que o deixou desanimado, levando-o a afastar-se da vida pública, recebendo a alcunha de O Solitário de Tambaú.

José Américo ainda ocupará o cargo de Governador da Paraíba, 1950; Senador, 1947; vice-presidente da República, 1946; além de ter sido candidato à presidência do Brasil em 1937, a qual foi abortada pelo golpe de Trinta e sete.

Obras literárias

Como escritor, José Américo inicia com Reflexões de um Cabra, 1922 – uma análise da psicologia dos nordestinos que deixam suas terras em busca de condições melhores.”Não tinham sexo, nem idade, nem condição nenhuma. Eram os retirantes. Nada mais”.

Em1923 publica A Paraíba e seus problemas, obra de grande conteúdo social, considerada o marco inicial da chamada geografia moderna, uma das mais profundas análises já feitas sobre uma região.

Mas a glória como escritor viria com o romance A Bagaceira – obra introdutora do romance regionalista no país. “A colisão dos meios pronunciava-se no contato das migrações periódicas. Os sertanejos eram mal-vistos nos brejos. E o nome de brejeiro cruelmente pejorativo”. Tratando das questões do êxodo, os horrores gerados pela seca, além da visão brutal e autoritária do senhor de engenho, representando a velha oligarquia.

José Américo publicara ainda as novelas O Boqueirão e Coiteiros, 1935, analisando as questões das secas e do cangaço no Nordeste. Em 1954 lança O Cruzeiro; Discursos do seu tempo, 1957; A Palavra e o tempo, 1965.

Em 1966 entra para Academia Brasileira de Letras, no ano seguinte publica O Ano do nego; Eu e eles, 1970; Quarto minguante, 1975. Em 1976 escreve o seu último livro – Antes que me esqueça. Em 1976 recebe o título de O Intelectual do Ano.

Notícias relacionadas