Homenagens ao presidente João Pessoa pelos 79 anos de sua morte começam neste do - WSCOM

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Paraíba

26/07/2009


Homenagens ao presidente João Pessoa

De acorto com os registros históricos o presidente João Pessoa morreu no dia 28 de julho de 1930, mas as homenagens pelo 9º Aniversário de sua morte começam neste domingo, 26, na capital paraibana. A  programação começou às 9 horas com uma celebração eucarística na Igreja da Misericórdia, rua Duque de Caxias, centro da capital paraibana.
 

Já na praça João Pessoa, às 10h30, acontece solenidade cívica, no Monumento a João Pessoa. As homenagens ao ex-presidente da Paraíba se encerram com visita ao Mausoléu, nos jardins do Palácio da Redenção. Há 79 anos o Governo da Paraíba realiza as homenagens, sempre no dia 26 de julho, data de sua morte.

O jornalista Abelardo Jurema Filho, sobrinho-neto do ex-presidente, afirmou que se orgulha muito das posições de vanguarda que João Pessoa tinha. De acordo com Abelardo Jurema o que mais caracterizou João Pessoa foi a coragem dele de quebrar a situação que existia, sobretudo a questão do coronelismo. Ele conduziu a Paraíba tentando tirá-la daquele jugo de Pernambuco. “João Pessoa se caracterizou pela coragem de tomar decisões”, destaca Abelardo, lembrando que no livro O Ano do Nego, José Américo de Almeida considera que João Pessoa era realmente um homem a frente do tempo dele. Embora fosse de uma oligarquia política, ele era um reformista, um homem renovador, combatia o latifúndio. Ele contrariou muitos interesses.

O defensor público José João de Miranda Freire “Joca”, outro sobrinho-neto de João Pessoa, também é de opinião de que o ex-presidente da Paraíba era um homem a frente de seu tempo, a começar pelas idéias revolucionárias. Em 1928, em seu discurso de posse, ele já pregava a não reeleição para os cargos eletivos seja ele qual for. Segundo Joca, João Pessoa costumava dizer que a política não é uma profissão. É uma fase transitória de qualquer ser humano.

História

João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque nasceu em Umbuzeiro (PB), em 1878. Era sobrinho do ex-presidente da República Epitácio Pessoa e sobrinho-neto do barão de Lucena, presidente da província de Pernambuco durante o Império e ministro da Fazenda do governo de Deodoro da Fonseca.

Ingressou, em 1895, na Escola Militar da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro, mas não concluiu seu curso. Em 1899, matriculou-se na Faculdade de Direito de Recife, por onde se formou em 1904. Em 1909, transferiu-se para o Rio de Janeiro, trabalhando como advogado no Ministério da Fazenda e na Marinha. Em julho de 1919, três meses após a posse de Epitácio Pessoa na presidência, foi nomeado ministro do Supremo Tribunal Militar (STM). Na década de 20, atuou como juiz nos processos movidos contra os envolvidos nos levantes tenentistas então deflagrados, destacando-se sempre pelo rigor contra os acusados.

Em 1928, elegeu-se presidente do Estado da Paraíba. Nesse cargo, promoveu uma reforma na estrutura político-administrativa do Estado e, para enfrentar as dificuldades financeiras, instituiu a tributação sobre o comércio realizado entre o interior paraibano e o porto de Recife, até então livre de impostos. Essa medida contribuiu para o saneamento financeiro do Estado, mas gerou grande descontentamento entre os fazendeiros do interior, como o coronel José Pereira Lima, chefe político do município de Princesa e com forte influência sobre a política estadual.

Em 1929, João Pessoa negou-se a apoiar a candidatura situacionista de Júlio Prestes à presidência da República e aceitou convite para ser o candidato a vice-presidente na chapa oposicionista da Aliança Liberal, articulada pelos Estados de Minas Gerais e Rio Grande do Sul e encabeçada pelo gaúcho Getúlio Vargas.

Realizado o pleito, a chapa oposicionista foi derrotada e o coronel José Pereira, que apoiava Julio Prestes, iniciou uma revolta em Princesa contra o governo estadual, sendo apoiado pelo governo federal. Ao mesmo tempo, ganhava força no interior da Aliança Liberal a proposta de deposição de Washington Luís através de um movimento armado. João Pessoa rejeitou essa solução. Sua preocupação concentrava-se, nesse momento, no combate à Revolta de Princesa.

Nesse sentido, ordenou a polícia paraibana invadir escritórios e residências de pessoas suspeitas de receptar armamentos destinados aos rebeldes. Numa dessas invasões – na residência de João Dantas, aliado de José Pereira -, foram encontradas cartas íntimas trocadas entre Dantas e sua amante. As cartas foram publicadas pela imprensa alinhada ao governo estadual, causando provocando grande escândalo na sociedade paraibana. Dias depois, em viajem ao Recife, João Pessoa foi assassinado com dois tiros desferidos por João Dantas em uma confeitaria da capital pernambucana.

O assassinato provocou forte comoção no país. Os líderes da Aliança Liberal trasladaram o corpo para o Rio de Janeiro, onde foi enterrado em meio a grande manifestação popular. Nas cidades por onde passou, o cortejo fúnebre foi alvo de manifestações semelhantes. Tal clima contribuiu para que os preparativos revolucionários se acelerassem, resultando na deposição de Washington Luís, em outubro, e na ascensão de Vargas ao poder, no mês seguinte. Em setembro de 1930, a capital paraibana, até então denominada cidade da Paraíba, foi rebatizada com o seu nome.

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