Haitianos já arranham o português e cantarolam Roberto Carlos - WSCOM

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Internacional

28/05/2008


Haitianos já arranham o português



Os haitianos atribuem a segurança à ação dos brasileiros

Assim que se depara com brasileiros que visitam o local onde vive, a favela de Cité Soleil, a maior de Porto Príncipe, Fabio Loubert, de 12 anos, procura demonstrar seus conhecimentos de português e até entoa versos de uma das mais célebres canções de Roberto Carlos: ”Você, meu amigo de fé, meu irmão camarada.”

Em português, Fabio conta que pretende demonstrar seus dotes vocais e sua destreza no português para o presidente Lula, durante a visita do líder brasileiro à capital haitiana.

Ele espera conhecer o presidente quando ele for ao Batalhão Brasileiro da Minustah, nesta quarta-feira.

Fabio conta que a vida ”tá melhor, está mais segura” em Cité Soleil, que abriga cerca de 250 mil moradores.

Violência

A Cité Soleil foi cenário de alguns dos mais violentos combates travados pelos militares brasileiros na capital haitiana, desde o início da missão militar no país, em 2004.

O local era dominado por gangues, que aterrorizavam os moradores, mas desde o ano passado os soldados do país deixaram os veículos blindados de lado e passaram a fazer patrulhas a pé pelas estreitas ruas da favela.

Muitos dos que habitam por lá atribuem a maior segurança à ação dos brasileiros.

”Eles fizeram um trabalho formidável. As coisas estão melhores”, afirma um dos moradores da favela, Jean François Eugène.

”Existe mais segurança hoje em dia”, reforça outro morador, Mascal Yberenice.

‘Dinheilô’

Bandeiras do Brasil são vistas em diversos quiosques, e camisas da Seleção Brasileira estão por toda parte em Cité Soleil.

As crianças são as que tendem a assimilar termos em português com mais facilidade, saudando os visitantes brasileiros aos gritos de ”beleza” e ”amigo”.

Como um triste lembrete de que mais de 80% da população haitiana se encontra abaixo da linha de pobreza, um dos termos mais repetidos pelos moradores que encontram brasileiros é ”dinheilô”.

”Não existe trabalho. Está tudo muito caro, a comida está cara demais”, diz Mascal Ybernice.

Recentemente, a alta de preços de alimentos provocou uma série de protestos populares e até ataques contra o Palácio Presidencial, que levaram à queda do primeiro-ministro Jacques-Edouard Alexis.

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