Grupo de Dirceu enfrenta Esquerda do PT em eleições internas - WSCOM

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Política

09/10/2005


Grupo de Dirceu enfrenta Esquerda

O segundo turno das eleições internas do PT realizadas neste domingo, a partir das 9h, sela o confronto final entre grupos pró e contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O candidato Ricardo Berzoini, ex-ministro, faz parte da corrente Campo Majoritário e defende a política econômica de Lula. Raul Pont, da Democracia Socialista, tornou-se o representante das correntes de “esquerda” da legenda –grupos mais críticos ao governo.

O primeiro boletim com resultados parciais das eleições nacionais deve ser divulgado no início da tarde da segunda-feira. O anúncio dos resultados oficiais finalizados deve ser feito no final da próxima semana, ainda sem data definida.

No primeiro turno, Berzoini obteve 42% dos votos válidos enquanto Pont, 14,7%. O terceiro candidato em votos, Valter Pomar, divulgou uma carta aberta aos demais candidatos em que pediu a união em torno de Pont contra o candidato do Campo Majoritário, o grupo político que domina o PT desde 1995.

Somados, os votos concedidos a Pomar, Marcos Sokol, Maria do Rosário, Plinio de Arruda Sampaio e Luiz Gonzaga da Silva, o Gegê, realmente seriam suficientes para bater Berzoini.

Entre os mais votados, Maria do Rosário declarou seu apoio a Pont, mas Sokol afirmou que sua corrente, o Trabalho, recomendou aos militantes o voto em branco, com a justificativa de que nenhum dos dois candidatos atende às expectativas de mudanças populares.

Pont também conta com o apoio de intelectuais como Marilena Chauí, Alfredo Bosi, Leonardo Boff, Luis Fernando Veríssimo, Maria da Conceição Tavares além dos economistas Luiz Gonzaga Beluzzo e Paul Singer.

Apesar de bastante criticado nessas eleições, o Campo Majoritário mostrou como ainda detém força no partido. Os candidatos dessa corrente venceram no primeiro turno em 15 dos 23 Estados ondem ocorreram eleições para presidente dos diretórios estaduais.

Agora, no segundo turno das eleições estaduais, os candidatos do Campo concorrem em todos os demais Estados. Em Mato Grosso do Sul, ambos os candidatos fazem parte dessa corrente. O Campo também manteve-se como o grupo de maior representação dentro do diretório nacional.

Os candidatos

Raul Pont: O candidato da chapa “Coragem de Mudar” defende mais autonomia do partido frente ao governo e defende a “reconstrução” do PT, a partir da autocrítica das alianças com a direita.

É formado em História e pós-graduado em Ciências Políticas pela Unicamp. Foi deputado federal pelo Rio Grande do Sul (1990-92) e prefeito de Porto Alegre (1992-96). Integra a corrente Democracia Socialista.

Segundo Pont, a política de alianças do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi um “equívoco”, além de considerar a política de juros “indefensável”. Para ele, o governo Lula deveria ter “profunda participação e protagonismo popular”.

Sobre o presidente Lula, admite que, apesar das diferenças com o pensamento de sua corrente e da necessidade de “rediscutir” o relacionamento entre governo e legenda,”isso não significa que nós vamos sair do governo ou iremos para a oposição”.

Ricardo Berzoini: É o atual secretário-geral do partido, tendo ocupado as pastas da Previdência Social e do Trabalho no governo Lula. É o representante do chamado “Campo Majoritário”, grupo político que domina o PT desde 1995, vinculado ao deputado federal José Dirceu (SP).

Marca sua posição pela defesa do governo Lula. Para ele, o PT deve fazer a defesa do governo Lula “sem tergiversar, o que não significa que o partido não possa fazer críticas pontuais a certas políticas”.

Sobre a política econômica do presidente, afirma que concorda com seus fundamentos e qualifica de “vitoriosa”, porque a inflação caiu, e os empregos e as exportações cresceram.

Em relação a política de alianças do governo, uma das principais “condenações” dos demais candidatos, afirma: “é preciso cuidado com as críticas para não perder de vista que o governo, ainda que seja o resultado possível de uma aliança partidária, tem o PT como principal partido de sustentação. É o nosso governo e precisa ser defendido como tal”.

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