Grampo indica tráfico de influência em Ribeirão Preto - WSCOM

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Economia & Negócios

21/08/2005


Grampo indica tráfico de influência

Ex-secretário do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, à época em que ele era prefeito de Ribeirão Preto, o advogado Rogério Tadeu Buratti, mesmo sem cargo no governo Lula, é suspeito de participar de uma rede de tráfico de influência, servindo de ligação entre o governo, prefeituras petistas e empresários. É o que indicam grampos telefônicos em poder da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos. Foram gravadas dezenas de conversas de Buratti, com autorização judicial, entre fevereiro e setembro de 2004.

Para o Ministério Público (MP), as fitas apontam a participação de outros dois homens de confiança do ministro da Fazenda no esquema: seu chefe de gabinete, Juscelino Dourado, e seu secretário particular, Ademirson Ariovaldo da Silva. O Ministério da Fazenda informou que só se pronunciará após o término das investigações. Na sexta-feira, Buratti acusou Palocci de receber propina de R$ 50 mil por mês quando era prefeito de Ribeirão.

Nos grampos, obtidas pelo Estado, Buratti revela que não pode falar por telefone com Dourado e acrescenta que o principal assessor de Palocci não está autorizado a conversar determinados assuntos nas ligações. Eles só poderiam se comunicar pessoalmente.

“República de Ribeirão” – Dourado e Ademirson não foram os únicos homens de confiança que Palocci levou de Ribeirão Preto para o governo Lula, formando o que foi apelidada de “República de Ribeirão”. Pelo menos outras sete pessoas, incluindo sua mulher Margareth Rose Silva Palocci, passaram a ocupar cargos no governo federal desde que Palocci deixou a prefeitura do interior do Estado e assumiu o Ministério da Fazenda.

Entre os indicados por Palocci, está o atual diretor do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), Donizeti Rosa. Considerado um homem de confiança do ministro, Rosa tem o nome citado diversas vezes nos grampos telefônicos dos diretores da empresa Leão Leão. Nas conversas, Rosa aparece como intermediador de contatos entre a empresa, acusada de fraudes em licitações, e a prefeitura de Ribeirão.

A República de Ribeirão é formada ainda por Ralf Barquete Santos, que morreu no ano passado e que ocupava o cargo de assessor especial da presidência da Caixa Econômica Federal (CEF); Nelson Rocha Augusto, que está na Presidência da Banco do Brasil Administração de Ativos – Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. (BBDTVM); Galeno Amorim, atualmente na coordenação da Política Nacional do Livro e Bibliotecas Públicas do Ministério da Cultura; Fernando Garcia, na coordenação do programa Cartão-Saúde; José Ivo Vannuchi, responsável pela área parlamentar do Ministério da Fazenda; e Wagner Quirici, diretor-presidente do Serpro.

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