Governo lava as mãos e já admite falência da Varig - WSCOM

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Brasil & Mundo

09/06/2006


Governo lava as mãos e

O governo lavou as mãos com relação à Varig. A avaliação que corria ontem nos bastidores da Esplanada dos Ministérios era que a tendência é a empresa ir à falência, mais cedo ou mais tarde. A única oferta do leilão de ontem, feita pelo Trabalhadores do Grupo Varig (TGV), foi recebida com desconfiança. Todos se perguntavam de onde viriam os US$ 449 milhões oferecidos pelos empregados da empresa.

“É importante uma solução que possa manter a Varig voando e prestando serviços, mas precisamos observar o valor da proposta feita e a capacidade que eles (os funcionários) têm de honrar esse compromisso”, disse o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). Questionado sobre de onde viria o dinheiro oferecido pelo TGV, o ministro da Defesa, Waldir Pires, respondeu: “Não sei.” Quando lhe perguntaram se o dinheiro existia, ele apenas sorriu.

Mesmo se a oferta do TGV for aceita e o negócio se concretizar, o futuro da Varig permanece inseguro, pois a empresa necessita urgentemente de capital de giro, avaliam técnicos. Além disso, ela está ameaçada de perder aviões a partir do próximo dia 13, quando acaba o prazo dado pela Justiça de Nova York que protege a Varig contra arresto de aviões pelas empresas de leasing.

Os problemas não acabam aí. A Infraero, estatal federal que opera os aeroportos brasileiros, pressiona o Ministério Público para que mova processo criminal contra os administradores da Varig por apropriação indébita de R$ 27 milhões em taxas de embarque. A aérea estaria recolhendo a taxa dos passageiros, mas não repassando os valores para a estatal dos aeroportos, como deveria. Esse montante se soma aos R$ 540 milhões devidos pela Varig em taxas à Infraero.

“Nós fizemos o possível”, decretou Waldir Pires, que ontem ainda se dizia esperançoso quanto ao surgimento de uma solução de última hora. Ele lamentou o fato de as grandes empresas do setor não terem feito ofertas no leilão, apesar dos sinais emitidos nos últimos dias que estariam interessados na Varig. “A vontade da gente era acreditar que essa gente (as empresas) estava dizendo a verdade”, comentou.

Para o presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, é fácil entender por que as grandes aéreas não fizeram ofertas. Elas estariam esperando a Varig quebrar, pois nesse caso as linhas hoje operadas pela empresa serão redistribuídas.

“A primeira regra de mercado diz que, se você pode obter algo de graça, não vai pagar por isso”, disse. “Se a oferta do TGV não for aceita e o juiz decretar a falência da Varig, tudo vai cair no colo das empresas por um preço infinitamente menor do que o pedido no leilão.” Não havia sinais de uma articulação de última hora do governo para salvar a empresa. “Não acredito que o governo vá arranjar uma solução mágica”, disse o presidente da Infraero.

Técnicos lembraram que, se fosse para arranjar alguma solução, o governo já o teria feito antes de a situação da Varig se tornar tão crítica. A tentativa mais concreta do Executivo de ajudar a Varig, empreendida há mais de um ano, foi inviabilizada pela resistência dos empregados, que não aceitaram medidas para cortar custos que envolvessem demissões.

Preço – Waldir Pires não quis comentar o possível desfecho do leilão da Varig, nem avaliar se o montante oferecido pelo TGV, correspondente à cerca de metade do preço mínimo pretendido, seria satisfatório. “Essa é uma decisão que cabe ao juiz”, disse.

Também o presidente da Infraero não quis arriscar um prognóstico. “Eu não queria estar na pele do juiz”, disse. “A nós, da Infraero, só resta rezar.” O brigadeiro comentou que, do ponto de vista da estatal, qualquer preço de venda da Varig maior do que zero estaria bom, na atual conjuntura. Ele duvidava, porém, se esse seria o melhor desfecho para o contribuinte brasileiro.

O ministro da Defesa lembrou que o governo ajudou a Varig tanto quanto pôde. “Nós fizemos tudo o que foi possível, demos uma colaboração muito grande de tudo o que foi possível dentro da lei, para que não faltassem os insumos básicos para que a Varig continuasse operando”, disse.