Fundos de inflação são alternativa para a diversificação - WSCOM

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Economia & Negócios

28/08/2005


Fundos de inflação são alternativa

Os fundos de inflação, com a carteira formada por Notas do Tesouro Nacional da série B (NTN-B), atreladas à variação do IPCA, e NTN-C, vinculadas à oscilação do IGP-M, ficaram com o apelo fortalecido diante da acentuada queda da inflação nos últimos meses – o IGP-M registra deflação (inflação negativa) há quatro meses. Em tese, inflação em baixa não combinaria com a rentabilidade desses fundos. Na prática, porém, além da variação do indicador de inflação, que equivale à correção monetária, os títulos que compõem essas carteiras embutem determinada taxa de juros, o chamado cupom, correspondente ao juro real do papel.

O recuo da inflação levou a uma espichada do cupom ou do juro real, como compensação do estreitamento da correção monetária, nos títulos de vencimentos mais curtos. Os papéis amarrados ao IGP-M para vencimento em dezembro carregam cupom em torno de 16% ao ano, que recua para 10% em títulos que vencem em dezembro de 2006. Nos atrelados ao IPCA, o cupom está em 12,80% para vencimento em agosto de 2006.

“Quando a inflação está em baixa, como agora, a tendência é o aumento do cupom”, explica o consultor de investimentos Fábio Colombo. “Mas é preciso avaliar um fundo de inflação pensando no longo prazo, porque no curto o aplicador só ficaria com o rendimento do cupom.” Segundo ele, pela combinação do cupom com a variação da inflação (correção monetária), no curto prazo esses fundos rendem menos que a taxa básica de juros (taxa Selic) de 19,50% ao ano, referência dos fundos DI e de renda fixa. “Os fundos de inflação valem mais como diversificação de investimento para o longo prazo.”

O economista Alexandre Póvoa, sócio-diretor da Modal Asset Management (MAM), diz que a perspectiva de rentabilidade é atraente, mas o aplicador deve avaliar o fundo de inflação como investimento por prazo superior a um ano. “É um produto intermediário entre a renda fixa e a variável.” Ele explica que a redução da correção monetária por causa da queda da inflação é compensada pela ampliação do nível do cupom. A hora de abertura do cupom, como ocorre agora, é a mais adequada para entrar no fundo.

Ainda segundo Póvoa, o juro ou o cupom está em alta porque muitos investidores estão saindo desses fundos desapontados com o achatamento do ganho após quatro meses seguidos de deflação do IGP-M.

Colombo comenta que são poucos os fundos de inflação ofertados porque, pelas próprias características, os títulos nem sempre são facilmente negociáveis. Uma opção, sugere, é a compra desses papéis pela internet pelo programa Tesouro Direto.

Fundos cambiais

Os fundos cambiais, em que a rentabilidade é dada pela variação do dólar comercial mais determinado cupom, estão com menos apelo que os fundos de inflação, de acordo com o diretor da Modal. “Podem ser um bom instrumento de hedge (proteção contra a oscilação cambial para quem tem compromissos atrelados à variação do dólar), mas como investimento esses fundos ainda são pouco atraentes.”

De fato, o cupom ou o juro real das NTN-D, que formam a carteira dos fundos cambiais, está mais baixo que o dos fundos de inflação. Uma NTN-D com vencimento em fevereiro de 2006 embute cupom de cerca de 3,80%, que sobe para 4,5% para vencimento em outubro do mesmo ano. Pelos cálculos de Póvoa, para que esses fundos se tornem competitivos com um fundo de renda fixa ou DI, o dólar precisa avançar cerca de 16%, para algo em torno de R$ 2,80, hipótese improvável para ele no cenário de momento.

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