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27/06/2006


França e Espanha prometem grande

Uma verdadeira guerra de nervos cerca o clássico que Espanha e França disputam nesta terça-feira, no jogo de número 700 da história das Copas. A partida ocorre às 16h (de Brasília), em Hannover, e quem passar encara nas quartas-de-final o vencedor de Brasil x Gana.

Para buscar a vitória em um jogo marcado pela tensão – com polêmicas sobre a idade das equipes, o suposto favoritismo da Espanha e até referentes a declarações racistas do treinador espanhol em 2004 -, Espanha e França recorrem aos seus craques mais renomados, Raúl e Zidane.

As duas seleções nunca se enfrentaram em jogos de Copa, mas nas últimas edições da Eurocopa disputaram partidas emocionantes. Com uma equipe que contava com Platini, Giresse, Tigana e Fernandez formando um memorável meio-campo, a França, jogando em Paris, bateu a Espanha na final da Euro de 1984, por 2 a 0.

Na edição de 2000 da Eurocopa, as equipes voltaram a se enfrentar, nas quartas-de-final do torneio, realizado na Holanda e Bélgica. Mais uma vez, a França venceu, por 2 a 1, e, com praticamente a mesma equipe campeã mundial de 1998, sagrou-se vencedora da Euro, ao bater a Itália na final.

A partida de 1984 está distante na memória de praticamente todos os espanhóis e franceses que entrarão em campo nesta terça em Hannover, mas vários deles disputaram as quartas da Euro-2000. Entre os franceses, Barthez, Thuram, Vieira, Zidane, Wiltord e Henry, que devem ser titulares contra a Espanha nesta terça, participaram do duelo de 2000.

Pela Espanha, os atuais reservas Cañizares e Salgado foram titulares contra a França na ocasião, mas o jogador que guarda as lembranças mais fortes daquele duelo é o atacante Raúl.

O jogador do Real Madrid teve a chance de empatar a partida para a Espanha em cobrança de pênalti nos últimos minutos do 2º tempo, mas desperdiçou a oportunidade, e os espanhóis foram derrotados por 2 a 1.

Nesta terça-feira, Raúl, que começou a Copa da Alemanha como reserva, entrará em campo como titular, além de ser o dia do seu aniversário.

O atleta se lembrou que “será a primeira vez que comemoro meu aniversário durante um torneio”, mas destacou que irá “esquecer todas as coisas pessoais e me concentrar na equipe e no jogo”. Raúl, que completará 29 anos, afirmou que “a melhor forma de comemorar é com uma vitória”.

Raúl travará duelo especial com o astro Zidane, com quem jogou nos últimos anos no Real Madrid. O meia francês completou 34 anos na última sexta-feira, assitindo do banco (estava suspenso por cartões amarelos) à vitória por 2 a 0 sobre o Togo, que garantiu a classificação francesa às oitavas.

Sobre o fato de o francês ter anunciado que vai se aposentar ao final da Copa, Raúl afirmou que “claro que espero que seja o último jogo de Zidane. Ele é um grande jogador, jogou seu último jogo pelo Real Madrid e espero que, pelo bem da Espanha, amanhã seja o último pela França”.

Raúl, que contabiliza 44 gols pela seleção, disputará seu jogo de número 99 pela Espanha nesta terça. O atleta esteve com a equipe nas Copas de 1998 e 2002, e avaliou que “nunca havia jogado em uma seleção de tanta qualidade”.

Nas disputas anteriores, Raúl caiu com a Espanha na 1ª fase em 1998, ao passo que em 2002 a equipe foi eliminada nos pênaltis pela Coréia do Sul nas quartas, em jogo marcado pelo favorecimento da arbitragem aos sul-coreanos, co-anfitriões do torneio.

Até o Mundial da Alemanha, a Espanha já disputou 11 Copas, tendo chegado cinco vezes às quartas. A melhor posição foi obtida em 1950, quando a equipe foi ao quadrangular final e terminou em 4º lugar.

“Não esperamos que esse seja o último jogo de Zidane”, afirmou, por sua vez, o treinador da França, Raymond Domenech. O lateral-esquerdo Abidal também defendeu que o meia pode fazer a diferença, ressaltando que a Espanha “não tem Zidande”.

Em um quadro no qual a mídia francesa quebrou nos últimos dias o tabu da titularidade incontestável de Zidane, o treinador parece apostar no meia para que a equipe avance às quartas-de-final em sua 12ª participação em Copas.

Os franceses nunca ficaram nas oitavas-de-final de um Mundial – os espanhóis caíram uma única vez nessa fase, em 1990. A seleção francesa foi campeã em 1998, chegou a outras três semifinais (1958, 1982 e 1986) e às quartas em 1938.

Após superar a tensão deixada pela péssima campanha da última Copa e conseguir chegar à 2ª fase na Alemanha apenas na última rodada da fase inicial, com dois empates e uma vitória, os franceses parecem ter recobrado sua confiança, mas preferem deixar o favoritismo com os espanhóis.

Cientes de que a Espanha fez a melhor campanha da 1ª fase, com três vitórias em três jogos, oito gols marcados e somente um sofrido, os franceses têm demonstrado que é até interessante para eles deixar os Espanhóis mais confiantes.

O meio-campista reserva da França Dhorasoo, resumiu bem este estado de espírito nesse domingo, ao afirmar que “acho bom que eles acreditem que são favoritos. Deixe eles ficarem confiantes”, provocou.

E os espanhóis, animados com a ótima campanha na fase inicial, não se deixam incomodar com a situação. Em declaração ao site da Real Federação Espanhola de Futebol, o meia Xaví, do Barcelona, afirmou que “provavelmente, este [duelo] contra a França seja o mais complicado de todos, mas hoje em dia, podemos ganhar de qualquer um”.

ESPANHA X FRANÇA

Data:27/06/06, terça-feira

Local: AWD Arena, em Hannover (Alemanha)

Horário: 16h (de Brasília)

Árbitro: Roberto Rosetti (ITA)

Assistentes: C. Copelli (ITA) e A. Stagnoli (ITA)

Prováveis escalações:

Espanha:

Casillas; Sergio Ramos, Puyol, Pablo, Pernía; Xavi, Fábregas (Marcos Senna), Xabi Alonso; Raúl, Fernando Torres e Villa.

Técnico: Luis Aragonés.

França:

Barthez; Sagnol, Thuram, Gallas, Adidal; Makelele, Vieira, Malouda, Zidane; Wiltord (Trezeguet) e Henry.

Técnico: Raymond Domenech.